Museu da Portuguesa

Eu sou um daqueles que reclama muito das pessoas que não valorizam suas origens.

Acho que conhecer a história das coisas é o jeito mais fácil de entender o mundo e de se adaptar a ele.

No futebol, fico triste em ver que a maior parte dos torcedores não conhecem sequer a história do próprio clube, quiçá a dos seus adversários.

Eu tenho tentado ir atrás dos lugares que coletam e reúnem informações sobre a história do futebol.

Até já postei aqui no blog sobre o Museu do Futebol, mas hoje o papo é sobre um outro museu, muito bem equipado e que pouca gente conhece. O Museu da Lusa!

Ele fica dentro do próprio Canindé, e pra chegar lá, eu fui falando com porteiros, seguranças, secretárias até que encontrei… 

O Museu fica no primeiro andar do ginásio de esportes do clube.

Segundo a placa indicativa, o nome oficial é Museu Histórico Dr. Eduardo de Campos Rosmaninho, médico que foi o fundador do museu, em 1999.

É tudo muito bem arrumado. As peças são organizadas cronologicamente pelas salas.

Essa é mais uma ótima opção para os apaixonados por futebol. Mas atenção, o Museu não abre todos os dias, somente aos sábados, das 10 às 14horas.

Vale o agradecimento ao sr. Vital que nos recebeu e explicou com detalhes cada ítem do museu, dos troféus, fotos e flâmulas, às belissimas camisas históricas do time da Lusa!

Fico contente de ver que a Portuguesa conseguiu reunir e catalogar tanto material precioso. Você torcedor Luso, ou apaixonado por futebol, não pode perder!

Sobre a bola do Paulistão 2010

Todo mundo que gosta de futebol gosta de bola, é claro.

E depois de muita correria, enfim consegui as informações sobre a bola oficial do Paulistão 2010, da Topper!

 

Segundo a marca, além de ter um design arrojado, ela foi desenvolvida com novo material exclusivo, que a deixa mais macia e com maior aderência.

A bola usada no campeonato é a KV 12 Campo 5th edition. (por quê um nome assim, né? Não podiam lançar umas bolas comemorativas … tipo… Inter de Limeira 1986…)

É o sétimo ano consecutivo que a Topper é a marca esportiva oficial da Federação Paulista de Futebol, fornecendo as bolas da competição (nas 4 séries, A1, A2, A3 e B).

A KV 12 Campo 5th edition tem as cores da bandeira do Estado de São Paulo, com destaque para os tons amarelo e vermelho.

O modelo é uma reestilização da bola do último Paulistão.

Os principais diferenciais na arte da nova KV 12 são a malha metalizada da Topper aplicada em seus gomos, tornando o produto com identidade mais proprietária da marca, e os grafismos com percepção de profundidade. 

A microfibra exclusiva é um material desenvolvido no Japão, oferecendo resistência e maciez aos chutes, cabeçeios, defesas e seja lá o que os atletas foram fazer…

Além disso, tem filamentos específicos que além de deixá-la mais macia, também proporciona maior aderência, permitindo aos pernas de pau um maior controle sobre a bola e oferecendo maior segurança aos goleiros.

Outro diferencial do modelo está na tecnologia technosoft, sistema exclusivo de amortecimento e redução de impacto que, localizado entre o forro e o laminado da bola, garante mais conforto e elasticidade na hora do chute.

Ah, e por ter apenas 12 gomos, a KV 12 tem também menor atrito e resistência ao ar, proporcionando assim maior eficiência no controle de passes, lançamentos e chutes de curta, média e longa distâncias. 

A estrutura da nova bola é confeccionada com fios de nylon em sistema radial, que asseguram excelente resistência à deformação ou ruptura.

A câmara de ar é desenvolvida em borracha butílica, composto que mantém a esfericidade e evita a perda de ar, garantindo assim maior impermeabilidade e a pressão ideal por mais tempo. Já o laminado que reveste o produto é fabricado em microfibra importada, que proporciona mais maciez.

Para os pobres mortais (no caso, ricos), o preço de venda sugerido é de R$ 199 …

Pra quem quer saber mais (pô, mas depois de cada detalhe que eu arrumei, o que mais você quer saber…), contate a própria Topper:  AMC – Atendimento Master ao Cliente  São Paulo: (11) 3045 5522 – Outras localidades: 0800 70 70 566 ou www.topper.com.br

Abraços!

Published in: on 28 de abril de 2010 at 6:09 PM  Comments (1)  
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Boleiros do Cerrado – índios xavantes e o futebol

Como não pude ir ao evento de lançamento, meu grande amigo Guilhermão, responsável pelo blog http://punkcanibal.zip.net e estudioso dos Xavantes, foi até lá e escreve o relato abaixo:

Foi lançado no dia 12 de dezembro de 2008, em São Paulo (livraria Martins Fontes), o livro “Boleiros do Cerrado – índios xavantes e o futebol“, de Fernando de Luiz Brito Vianna, o Fedola.

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Um lançamento direto para o gol, fazendo sucesso não só entre os antropólogos como também para uma arquibancada de estudiosos da bola que vem crescendo no Brasil.

Fedola – que para mim é uma espécie de “irmão mais velho” (indub’rada, em língua xavante) na pesquisa de campo do povo Xavante – estava muito à vontade dando autógrafos para a torcida de amigos, boleiros profissionais, etnógrafos e família.

Entrar no mundo xavante através do futebol é o maior trunfo de seu trabalho, ainda mais porque os Xavante não escondem de si mesmos o fundamento lúdico de sua humanidade, como poderia dizer um antigo estudioso do jogo – Johan Huizinga.

Para os Xavante, não existe tanta diferença entre ritual, brincadeira e jogo – a palavra é uma só, dató. Algumas de suas instituições mais importantes envolvem a disputa jogada, como a relação entre os grupos de idade. Eles levam muito a sério suas brincadeiras e também sabem jogar duro, como pude sentir na pele ou, mais precisamente, no corpo. Não só no esporte como na dança, na caça, na vida… praticam um verdadeiro jogo de corpo.

E encará-los através do futebol também facilita o jogo para os leitores brasileiros, para quem essa arte importada pela nossa tão celebrada antropofagia se tornou um símbolo nacional. Um símbolo mitológico da brasilidade, tão fundamental para nossa idéia de “nação” quanto os “nossos índios” o são.

Talvez por isso mesmo este livro atraia tanta atenção, sendo um verdadeiro “jogo absorvente”.

Guilherme Falleiros
http://punkcanibal.zip.net

P.S.: Assim como o Mau, os Xavante adoram receber camisetas de presente. Sua camiseta do Juventude de Primavera do Leste, que eu trouxe diretamente do serrado xavante, está a espera do jogador que irá vesti-la!

Published in: on 24 de dezembro de 2008 at 12:20 PM  Comments (3)  
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A história da bola no Brasil

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Muita gente acha que o Brasil é o país do futebol, mas cada vez mais percebo que o brasileiro não gosta de futebol, ele gosta é do time dele, e quando está ganhando, caso contrário, ao invés de ver o jogo ele prefere sair com o pessoal e se divertir.

O próprio presidente do Corinthians foi flagrado almoçando outro dia enquanto o timão fazia seu jogo da volta à série A (veja essa história no blog do Juca, num post do dia 10/11, clique aqui para ler).

Além disso, repare quão pequena é cultura nacional gerada em torno do esporte. Ainda são pouquíssimos livros, filmes e estudos abordando a tal “paixão nacional”.

Tentando colaborar nesse sentido, esse post nasce com a idéia de se contar um pouco sobre a história da bola de futebol aqui no Brasil.

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A história que se é contada e repetida pela imprensa paulista é que as primeiras bolas teriam sido trazidas ao Brasil por Charles Miller e Hans Nobiling em 1894.

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Charles trabalhava na São Paulo Railway Company (que depois viria a ser a Estrada de Ferro Jundiaí – Santos, que atualmente liga a capital ao ABC). Baseado nisso, alguns historiadores citam o campo do Lira Serrano, de Paranapiacaba como um dos primeiros do país.

Porém, também dizem que em 1872, os padres do Colégio São Luís, em Itu, no interior de São Paulo, já organizavam partidas entre seus alunos.

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Já no Recife, Guilherme de Aquino Fonseca, pernambucano que viveu por muitos anos na Inglaterra, teria sido o responsável pela primeira bola da região.

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No Rio de Janeiro se fala em Oscar Cox como o responsável por trazer a pelota em 1897 (ano que chegou ao país). Mas ainda em 1878, teria ocorrido uma partida no Rio, em frente à residência da princesa Isabel, entre marinheiros britânicos que ao final do jogo levaram a bola embora.

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 Fala-se também em Thomas Donohoe, um inglês contratado pela fábrica Bangu que teria trazido uma bola por volta de 1891.

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E foi no Rio de Janeiro, mais precisamente em Petrópolis, no começo do século 20, que surgiu o primeiro fabricante de bola de couro cru do Brasil, obra do sacerdote Manuel Gonzales, do Colégio Vicente de Paula.

No sul, as primeiras bolas de futebol apareceram na cidade portuária de Rio Grande e cidades próximas da fronteira com o Uruguai. Existem relatos de jogos nas cidades de Uruguaiana e Santana do Livramento antes de 1900. Podemos citar o alemão Johannes Christian Moritz Minnemann e Cândido Dias da Silva como pioneiros.

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As bolas daquela época eram bem diferentes das nossas atuais. Tinham uma abertura por onde entrava uma câmera inflável de borracha, e pra fechar tal abertura era usado um cadarço que ficava amarrado para o lado de fora, dando chance dos jogadores se machucarem nas cabeçadas, por isso era tão comum se utilizar aquelas touquinhas. Abaixo duas fotos de bolas da época:

 

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Nos anos 40, as bolas passaram a ter costura interna, sem a abertura e o cordão. Mas seu couro encharcava nos dias de chuva, tornando-as extremamente pesadas, lembrando as bolas de capotão que a molecada usava na década de 80.

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Em 1962, estreou a pelota com 18 gomos, mais leves e estáveis.

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Na copa de 70 foi usada uma bola com 32 gomos, totalmente de couro e costurada a mão.

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Em 78 surgiu o grande ícone, a bola “Tango” produzida pela Adidas para a Copa do mundo, e que foi base pras todas as bolas desenvolvidas até 2002.

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A partir dos anos 90, muito se inventou na área da tecnologia, para melhorar a performance dos chutes, e velocidade da bola, assim como os modelos utilizados. A Copa de 2002 usou a Fevernova:

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 Na Copa de 2006, foi a vez da Teamgeist:

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Para constar, a bola oficial de futebol, como determina a regra, deve ter uma circunferência superior a 68cm e inferior a 70cm.

Seu peso, no início da partida, deverá ser de 450g no máximo e de 410g no mínimo. A pressão deverá ser igual a 0,6 -1,1 atmosferas (600 – 1.100 g/cm²) ao nível do mar.

Isso na teoria, porque na prática, pra quem ama futebol, a bola é o de menos, valem latinhas massadas, limões, bola de plástico e o que mais se quiser usar pra atender aos chamados e a vontade dos deuses do futebol.

O museu do futebol

Bom, entre uma camisa e outra, vale a pena umas notícias de futebol né?

Ontem, finalmente consegui ir conhecer o Museu do Futebol, feito embaixo das arquibancadas do Pacaembú.

Confesso que me surpreendeu. Não pelo acervo, que achei até um pouco fraco, mas pela estrutura e tecnologia envolvidos.

Quem gosta da história do futebol no Brasil não pode perder, há um acervo de fotos emocionante (tentei fotografar, mas ficou ruim, eu sei, é que mesmo sem usar o flash, o reflexo dos quadros atrapalha, tem que ir e ver ao vivo hehe).

Por enquanto está acontecendo no salão de Exposições temporárias uma mostra de artigos do Pelé chamada “As marcas do rei”, que rendeu belas camisas do jogador que estão expostas pelo Memorial, como as duas abaixo:

 

 

A dica é ir de quinta feira, pois o ingresso é gratuito. Além disso, vá com tempo, eu e minha namorada ficamos por lá por mais de 2 horas, e não deu tempo de ver e se divertir com tudo porque o Memorial fecha pontualmente as 18hs. E tem muita coisa pra ver e interagir: fotos, vídeos, jogos interativos, penalty em goleiro virtual, arquivos de som, fichas técnicas… enfim….é um passeio completo.

Dica 2: se for bater o penalty no goleiro virtual, fala pro cara tirar a bola do buraco, ou o chute vai sair uma droga e será chamado de perna-de-pau.

Finalizo com a bela imagem da controversa seleção brasileira de 1934. Ah, e antes que me esqueça, o site do Memorial é www.museudofutebol.org.br/