Punk Rock e Futebol Argentino

Pessoal, consegui uma entrevista com o pessoal da banda argentina “Los Violadores“, uma das mais antigas no cenário punk da América Latina, onde o foco do papo foi o futebol.

O site dos caras é www.violadores.com

Pra quem nunca ouviu, veja o clip:

Bom, mas vamos ao papo boleiro, que aconteceu graças a ajuda do Fernando Roca, empresário dos caras::

Os integrantes de Los Violadores gostam de futebol? Torcem por qual time?
LV- SOMOS DE BOCA, PERO NINGUNO ES FANATICO. NO VAMOS A LA CANCHA, SOLO VEMOS LOS PARTIDOS POR TV.

No Brasil, o futebol é uma coisa muito distante do rock, as pessoas acreditam que o estilo musical do futebol é o samba. Como isso se dá na Argentina? Há Rock nas arquibancadas? Há uma cultura do futbol nos shows?
LV- HUBO MUCHAS CANCIONES DE ROCK, CANTADA EN LAS CANCHAS A LO LARGO DE LA HISTORIA, LAMENTABLEMENTE EN LOS ULTIMOS AÑOS CON EL INGRESO DE LA CUMBIA Y REGGETON EL ROCK ESTÁ PERDIENDO ESPACIO EN LOS ESTADIOS.
EN LOS RECITALES , HACE ALGUNOS AÑOS SE EMPEZÓ A GENERAR LA MISTICA DEL PUBLICO LLENDO CON BANDERAS, Y TAMBIEN DESDE SIEMPRE EXISTEN LAS CANCIONES PARA “ALENTAR” AL GRUPO, PARA NOSOTROS NO HAY NADA MAS LINDO QUE ESCUCHAR A NUESTRO PUBLICO CANTANDO, ANTES DE SALIR A TOCAR.

Há alguma música dos Violadores sobre futebol? É uma temática que a banda gostaria de escrever?
LV- SI, PERO NO HABLA MUY POSITIVAMENTE. LA CANCION ES “REPRESION” ES DEL AÑO 1981, Y HABLA DE COMO, LA DICTADURA MILITAR DE NUESTRO PAIS, USÓ AL FUTBOL, PARA “IDIOTIZAR” A LA GENTE. ACTUALMENTE PASA LO MISMO. NUESTRO GOBIERNO MANEJA LA TELEVIZACION DEL FUTBOL PARA “ADORMECER” AL PUEBLO, O DISTRAERLO.
EN “REPRESION” LA CANCION DICE “FUTBOL, ASADO Y VINO” SON LOS GUSTOS, DEL PUEBLO ARGENTINO”

Quase 30 anos de punk rock!

Alguma história interessante de alguem que teve problemas para conciliar as obrigações da banda e a paixão pelo futebol?
LV- EL MANAGER Y NUESTRO OPERADOR DE SONIDO QUE SON HINCHAS DE RACING CLUB Y SUELEN IR A LA CANCHA, SI UN SHOW COINCIDE CON UN PARTIDO CLASICO, LO MAS PROBABLE ES QUE EL MANAGER CAMBIE LA FECHA DE NUESTRO SHOW JAJAJA…

O que vocês acham da rivalidade criada pela mídia entre Brasil e Argentina? No Brasil já tem muita gente que gosta da seleção, dos clubes e das torcidas argentinas. Ainda há poucas pessoas que conhecem as bandas portenhas (A77aque, Argies, Doble Fuerza, Muerte Lenta e Los Violadores), vocês acham que esta rivalidade acaba separando dois povos que poderiam ser mais hermanos?
LV-CREEMOS QUE EL MAYOR MOTIVO DE NO CONOCER BANDAS ARGENTINAS, ES EL IDIOMA. LA DIFERENCIA DE IDIOMA ES UN IMPEDIMENTO IMPORTANTE, PERO NO CREEMOS QUE LA RIVALIDAD DEL FUTBOL TENGA ALGO QUE VER, SINO EN ARGENTINA SERIA IMPOSIBLE IR A VER UN GRUPO INGLES, Y ESO NO SUCEDE…
 

Deixe sua mensagem pro pessoal do Brasil e confirme se é verdade que Los Violadores podem mesmo vir tocar aqui, este ano!
LV-ES CIERTO QUE EXISTE UNA POSIBILIDAD DE IR A BRASIL ESTE AÑO. SERIA UN SUEÑO PARA NOSOTROS. EXISTE LA POSIBILIDAD DE IR JUNTO A MARKY RAMONE, Y SI NO ES CON EL, NOS ENCANTARIA IR IGUAL. OJALA SE CONCRETE.
SALUDOS PARA TODO BRASIL Y SOBRE TODO, A LOS FANATICOS DEL PUNK ROCK!!

71- Camisa do Nueva Chicago

A 71a camisa de futebol vem novamente da Argentina, onde  passamos o carnaval (e ainda nem consegui terminar de contar tudo…).

O time defende o bairro de Mataderos (no extremo sudoeste da Capital Federal), cujo desenvolvimento se caracterizou pela presença da indústria da carne.

Existe no bairro, uma famosa feira que acontece há mais de 20 anos, criada para ser um espaço de produção e difusão das raízes culturais do povo do bairro.

Eu confesso que nunca fui, por medo de só ter coisas de carne – sou vegetariano- mas me disseram que tem de tudo um pouco por lá…

O principal incentivador do futebol no bairro foram as escolas que trouxeram vários jovens  e consequentemente a prática esportiva.

Foi um grupo de jovens estudantes, do bairro que fundou o time, em 1 de julho de 1911, na época, como Football Club Los Unidos de Nueva Chicago.

Nueva Chicago é quase que um sinônimo para o nome do bairro, tamanha a ligação dos moradores de Mataderos e o time.

O time começou modesto, com reuniões nas próprias ruas, um uniforme comprado numa loja do próprio bairro, e tendo como campo, um terreno baldio, onde foram instaladas traves de madeira (a mesma madeira usada nos matadouros para segurar o gado.

No seu início, disputou ligas inter bairros, mas em 1913 se associou à Associación Argentina, disputando o Torneio da segunda divisão.

Jogar em Mataderos sempre foi um problema para os adversários e para a torcida visitante, tanto que em 1915, o clube foi expulso da liga por problemas ocorridos num jogo contra o Nacional, e só pode voltar a jogar em 1917.

Em 1919, alcançou a primeria divisão, numa época pré AFA (Associacion del Futbol Argentino). No ano seguinte, a AFA estava criada e “de presente” para Mataderos, rebaixou o time no tapetão. 

Em 1937, caiu para a terceira divisão, de onde retornou em 1940, com a conquista do Campeonato Argentino Terceira Divisão, com o time:

Muito anos mais tarde, conquistou o Campeonato Argentino da Segunda Divisão, em 1981, chegando à primeira divisão, com o time abaixo:

Em 1983, caiu para a então “Primeira B”, só retornando à primeira divisão em 2001, com o time:

Vale a pena ver a matéria sobre este acesso:

Infelizmente, em 2004 o time caiu novamente, mas já em 2006 conseguiu voltar à primeira divisão, num jogo histórico contra o Belgrano, conseguindo reverter um placar de 3 gols adversos, como pode se ver no vídeo:

Atualmente (2010), o Nueva Chicago disputa a Primeira B, sonhando em retornar rápido ao lugar que se aconstumou, a primeira divisão!

O Estádio fica numa região bastante tranquila…

Mas, como já disse, em dia de jogo, nem sempre Mataderos é tranquilo para seus adversários…

Além do futebol existem outros esportes praticados no clube.

Aliás, o seu estádio leva o nome do time e tem capacidade para 23 mil hinchas!

Vale lembrar que o time possui grande rivalidade com o All Boys, que cresceu graças aos vários jogos disputados nas divisões de acesso.

O mascote do Nueva Chicago é o “Toro”:

Sua hinchada é fanática!

O site oficial do time é www.nuevachicago.com , mas existem vários outros sites dedicados ao time, como o www.primerochicago.com.ar

O Nueva Chicago representa muito bem os valores que tanto acredito de amor ao bairro…

Rolê em Buenos Aires parte 4- Chacarita e Vélez

Voltando ao nosso rolê pela Argentina (depois eu dou um jeito de deixar todos eles em sequência, pra ficar mais fácil de ler), vamos contar como foram nossas “enxarcadas experiências” com o Vélez e com o Chacarita!

Era mais uma quente sexta feira. O Chacarita enfrentaria o Cólon, as 16h, e assim fizemos nosso rolê pela manhã, almoçamos e já estávamos caminhando pro ponto de ônibus quando percebemos uma verdadeira tormenta se aproximando.

Como já havíamos pego uma inundação na segunda feira, na volta do jogo do All Boys, decidimos voltar e esperar um pouco.

Fizemos bem. Dá uma olhada no resultado das chuvas:

Do hotel, ficamos sabendo que o jogo seria adiado, e resolvemos aproveitar para descansar. Cerca de uma hora depois, ao ligar a tv, percebemos que o jogo havia sido adiado apenas por uma hora…

Pronto. Ficamos tristes, putos, chateados, nervosos, e tudo o que dava pra sentir…

O jeito foi deixar o derrotismo de lado e assistir ao jogo pela tv. O Chacarita ainda perdia por 1×0, quando o Gui propôs que desafiassemos o trânsito caótico (o jogo transcorria, mas a cidade estava alagada e parada, segundo a tv) e fossemos até o estádio do Vélez ver o jogo contra o Independiente.

Dei uma última olhada na tv, naquela cama confortável e no quarto quentinho, em pleno bairro de San Telmo, e num momento de delírio, topamos atravessar quase que a cidade toda até o Estádio Jose Almafitani… Era sem dúvida uma ideia estúpida, mas fantástica ao mesmo tempo.

Bom, a parte mais emocionante do relato não tem fotos.  Vou contando enquanto mostro como é o Estádio do Velez (na minha opinião um dos mais bonitos Estádios que já estive).

Aí embaixo, a gente um pouco molhado, depois de quase 1 hora de taxi. Não se assuste, saiu R$ 25 a viagem e como estávamos em 4, deu menos de R$ 7 por pessoa.

Teria valido totalmente a pena se tivéssemos descido do lado da entrada do Vélez e não no meio da torcida do Independiente. Menos mal que não estávamos com camisa de time, mas de onde descemos até chegar a entrada foi uma longa caminhada.

O detalhe é que para chegarmos lá, tivemos que voltar uma quadra para longe do estádio, atravessar a linha do trem e andar mais umas 4 quadras, tudo isso com uma garoa forte e sem energia.

Tava um breu e não tinha ninguém na rua. Resultado…. Um nóia portenho veio intimar misturando uma tentativa de venda de drogas a uma pequena extorsão.

Por sorte estávamos quase no estádio e deposi de algumas negociações pouco habilidosas conseguimos despistar o cara.

Embora ainda um pouco tensos, já estávamos dentro do Estádio e o negócio agora era aproveitar…

Eu e a Mari aproveitamos para oficializar nossa presença em mais um estádio!

A torcida do Vélez fez uma festa muito bonita! Cantaram o tempo todo, festejando o bom momento que o time vive tanto no campeonato nacional, quanto na Libertadores.

Se liga no penalty para o Velez:

A forte chuva colaborou para um número menor de torcedores na partida.

A torcida do Independiente compareceu em bom número!

Olha o que eu falo… Por que nos Estádios brasileiros as barraquinhas de venda de material do time tem que ficar do lado de fora?

Acho que já deu pra perceber que o estádio tem arquibancadas dos 4 lados.

Sendo que a da frente é beeeeeem alta…

A barra fica atrás do gol, do lado direito daquela arquibancadona alta.

A Mari assistia atentamente à partida… (até porque não tina muitas opções gastronômicas, que é uma das coisas que normalmente nos tira um pouco da atenção do jogo…)

O jogo foi bom, mas o Vélez soube aproveitar melhor as oportunidade criadas.

A gente ficou numa parte que é bem perto do campo, e tinha até uma parte coberta, mas como já estávamos molhados, preferimos ficar ali mais perto do jogo.

E dá lhe tirantes, e trapos!

Idem para a outra hinchada!

As cores originais do time (vermelho, branco e verde) são sempre relembradas nas arquibancadas.

Filma nóis, Galvão!

O placar tinha uma baita resolução…

E outro gol!! (Clica na foto que ela amplia e dá pra ver mais detalhes da comemoração).

Fim do primeiro tempo. Dá quase pra conversar com os jogadores de tão perto que eles passam.

O futebol tem se tornado algo inexplicável para mim. É incrível como me sinto bem num estádio, com mesu amigos ao lado e conhecendo novos torcedores e apaixonados por um esporte que luta não contra seus adversários, mas contra todo um sistema econômico cultural que nos sufoca a cada dia!

Como já disse em outros posts, as faixas são bem menos “institucionais” do que as que vemos aqui no Brasil, sendo feitas pelos próprios torcedores, muitas vezes à mão mesmo. Essas até que são bonitinhas demais para terem sido feoitas assim…

O intervalo passa depressa quando se está tão entretido com cada pedaço do Estádio e de sua torcida…

Essa parte de traz até lembra as numeradas de estádios menores, como a Javari.

Esse a esquerda é o Gabriel, o cara que faz as fotos pro www.torcida.wordpress.com, aliás, ele postou mais fotos deste e de outros jogos que foi com a gente por lá!

Cara, que festa!

Tá na cara que o orgulho e admiração pelo time é um dos sentimentos que mais aflora por Buenos Aires, ainda que esteja passando pelo mesmo que acontece aqui no Brasil: Concentração de torcedores nas bancadas dos chamados “grandes times”…

Assim termina mais uma parte das nossas aventuras por Buenos Aires. Ainda falta relatar os jogos do All Boys e do Racing.

Fique ligado!

Rolê em Buenos Aires parte 3 – Visitando Avellaneda

Assim como o bairro “La Boca” deu nascimento aos dois “gigantes” de Buenos Aires (Boca e River – lembrando que o River mudou de bairro, anos depois), o bairro de Avellaneda abriga outras duas grandes forças do futebol argentino, Racing e Independiente.

Nessa viagem, além de assistir a um jogo de cada time, passeamos pelo bairro e visitamos os dois estádio, a começar pelo Estádio “Libertadores de América”, de los rojos (Independiente):

O Estádio ainda está passando por uma grande reforma e por isso tem uma cara meio sinistra. Como não era dia de jogo, também estava tudo meio parado por lá.

O Estádio era chamado de “La Doble Visera” (pelo seu formato), e foi inaugurado em 4 de março de 1928.

Em outubro de 2009, foi reinugurado, após a primeira série de obras, num jogo contra o Colón de Santa Fé, vencido pelos “Diablos Rojos” por 3×2.

Foto no dia do jogo (2009)

Devido às obras, não conseguimos autorização para entrar no estádio, então tivemos que nos contentar com fotos externas.

Fica registrado mais um estádio na nossa coleção!

Dias depois iríamos assistir a uma partida de los Diablos, fora de casa, contra o Velez.

Ficamos um pouco tristes por não poder adentrar ao estádio num dia de jogo ou mesmo treinamento, mas ao menos já deu pra sentir um pouco da casa do Independiente.

É engraçado visitar o Estádio em dias assim, nem parece que tem jogo mesmo…

Tava uma tarde meio sem graça, de garoa cair na vidraça, céu branco…. Faltavam cores, torcedores, mas já deu certa  alegria de poder ver, ali ao fundo, as arquibancadas.

Enfim, ficamos um pouco desanimados por não entrar, mas já nos animamos ao perceber que o Estádio do RacingPresidente Juan Domingo Perón“, ou “El Cilindro” ficava a poucas quadras dali.

Caminhamos um pouco e chegamos na entrada do estacionamento do Estádio.

Logo de cara já veio a decepção de novo, o cara disse que dificilmente conseguiríamos entrar no estádio…

O negócio então foi aproveitar e fotografar o lado e fora do Estádio, de todos os ângulos possíveis.

Claro, e registrar nossa passagem por mais um estádio!

O Racing parecia ter um cuidado maior com a imagem do Estádio (talvez por não estar em reformas).

O estádio lembra um pouco o Olímpico, do Grêmio.

Mas o mais legal dos dois estádios dá pra ver dessa foto, olha como são literalmente colados os estádios do dois maiores rivais Racing e Independiente:

Já tinha valido a pena, fizemos umas fotos legais, andamos pelo entorno, estivemos ali pertinho…

Mas quando preparávamos para ir embora, “El pibe” Gui, conseguiu falar com um pessoal que havia contatado daqui do Brasil. E aí…

Uma vez lá dentro, pudemos tirar mais fotos e aproveitar aquele local sagrado só para a gente…

Vale fazer pose…

E mais pose…

E posar de gangue…

O rolê era esse mesmo… Andar, olhar, fotografar, respirar o ar del Cilindro…

Olhando pelo chão, encontrei um panfleto de uma campanha para escolher o que iria escrito na camisa do Racing este ano, a frase escolhida foi “Racing, dueño de una passion” (mais informações sobre a promoção em: http://corazonacademico.com.ar/index.php?pagina=1 )

E olhando pela net achei essa foto, que mostra uma visão aérea de la cancha…

O Estádio é bem grande…

E dá praver que também é bem próximo do campo, né? O mais loco é que é quase na mesma altura…

Vamos adentrar e bater uma bola???

O Gui fez uma reportagem com o pessoal que cuida do departamento de torcedores.

Ah, veja como ficou o vídeo do Gui, ao som do Ataque 77:

Pra nós, esse rolê foi muito mais que uma viagem, foi uma vivência próxima entre 4 apaixonados pelo futebol e uma overdose de partidas, estádios, novos amigos…

Futebol pra nós é isso… É abrir as mentes, romper as amarras, e os arames farpados (vale??)…

Finalizamos com a Mari levantando a camisa do Cosmopolitano em plena cancha de Racing:

Assim deixamos Avellaneda e nos preparamos para mais uma aventura, publicada a seguir…

Rolê em Buenos Aires parte 2 – Argentinos Jrs

Bom, pra não perder o ritmo (até porque o futebol está a 200 km/hora esse ano), voltemos às nossas aventuras boleiras pela América do Sul.

O primeiro programa boleiro, logo na segunda feira em que chegamos a Buenos Aires, foi um jogo do Argentinos Jrs.

Vale lembrar que eu e a Mari já tinhamos feito um rolê nesse estádio há um ano, veja aqui como foi.

O nosso “guia” foi o amigo “Checho”, que além de torcedor e morador do bairro, é o responsável por uma loja que só vende punk rock, oi! e outros sonidos da rua.

A loja dele:

E a gente, mais punk, impossível…

O entorno do estádio mostra que a maior parte dos torcedores se conhecem, até porque são quase todos das redondezas. É o velho amor ao bairro que a gente tanto sente falta aqui no Brasil.

Ainda que as “grandes equipes” também estejam angariando o maior número de torcedores, o Argentinos Jrs mostrou que o sentimento de amor entre time-estádio-bairro-hinchas é muito forte.

O estádio é pequeno. Lembra um pouco a Javari, com alguns andares a mais.

Réplica da Camisa em frente o estádio: 35 pesos

Ingresso para o jogo: 20 pesos

Passar uma noite de segunda feira ao lado da namorada e dos amigos assistindo uma partida de futebol na Argentina… não tem preço!

Ah, fiz um vídeo pra você ter uma ideia do que é o Estádio Diego Armando Maradona por dentro:

Dentro do Estádio, o destaque vai para a loja do clube que vende uma infinidade de produtos relacionados ao time. Os vendedores são gente boa e dá a nítida impressão que é uma festa entre amigos.

A diferença podia sermenor com a realidade que vivemos no Brasil, não? É pedir demais ter uma dessa em cada estádio??

E muita gente da velha guarda lotando as arquibancadas do estádio que leva o nome do maior jogador do mundo, que defendeu as cores do “Bicho” (apelido do time) no início da carreira.

Dá pra ver o nome ali??

E dá lhe festa. Popular. Sem controle, sem comando. Festa de gente, feita pela gente, e pra gente…

A torcida do Newell Old Boys compareceu, mesmo estando há mais de 3 horas da capital. A banda só foi chegar no final do primeiro tempo

O estádio tem uma mística bem particular. Parece um pub, onde amigos se encontram e se divertem.

E alentam, cantam e embalam seus jogadores!

Mulheres e crianças bastante presentes (vale ressaltar que a barra do time fica atrás do gol, e eles cantam e pulam sem parar, por isso tem mais crianças na arquibancada lateral).

As árvores ao fundo dão um belo cenário pro estádio, não acha?

Essa é a barra do bicho:

O campo é tão perto, que as vezes parece que vc tá dentro dele (não falei que lembrava a Javari)…

E guarde registros e fotos e vídeos… Estar ali foi um momento inesquecível…

Aliás, veja como ficou o registro feito pelo Gui:

A Barra vista de frente…

Para nossa tristeza, o tempo começou a virar e um friozinho virou chuva, que virou tempestade que cancelou o jogo aos 20 minutos do segundo tempo e alagou a cidade.

Eu queria ter dado uma volta no estádio ao fim do jogo pra mostrar todos os lados, e por isso não deu… Sorte que fiz essa foto antes do jogo:

Bom, foi esse o nosso rolê pelo jogo do Argentinos Jrs, dali ainda fizemos um rolê pela cidade inundada (o busão foi corajoso!) e fomos dormir. Ainda tinhamos muitas aventuras pra viver, né não Gui?

Ah, para quem quer mais informações sobre o time, o site oficial do Argentinos Jrs é www.argentinosjuniors.com.ar/

e o blog: http://www.elblogdelbicho.com.ar/

Abraços e … vejam que belo exemplo… Apoie o time da sua área!!!!

De volta ao Brasil!

Eae pessoal!

Depois de mais de 10 dias ausente, estou de volta.

Com muita coisa pra contar, muitas camisas novas e experiências únicas, como a da foto abaixo, em pleno Estádio Centenário (Montevidéu), com um céu inacreditável, enquanto o Penarol vencia mais uma partida pelo Campeonato Nacional.

Estive em Montevidéu e Buenos Aires e assisti 6 dúzia de jogos além de visitar 9 estádios.

Ao meu lado, além da Mari, estavam Gui “El Pibe”, responsável pelo www.expulsosdecampo.blogspot.com e Gabriel Ushida, responsável pelo www.torcida.wordpress.com. Já é possível ver algumas fotos nos blogs deles, também!

Durante a semana eu vou postando as novidades.

Aguardem!!

Published in: on 23 de fevereiro de 2010 at 3:19 PM  Comments (2)  
Tags: , ,

63- Camisa do Quilmes Atlético Club

63a camisa da coleção vem da minha amada Argentina, terra onde ainda vou morar um dia!

Peguei essa camisa numa loja, do famoso bairro “Once” (o “Bom Retiro” de Buenos Aires). Paguei 18 pesos (uma pechincha) por essa réplica muito bonita!

O time em questão é o Quilmes Atlético Club, que representa Quilmes, uma cidade da província de Buenos Aires. É como uma cidade satélite, encostada a Bs As.

É nesta cidade que se produz a cerveja Quilmes (veja alguns comerciais no post que fiz sobre a camisa da seleção Argentina):

Por isso mesmo, o apelido do time e dos torcedores é “Cervejeiro”.

Embora a cidade de Quilmes seja um lugar bem legal para se visitar, eu nunca estive lá… Mas.. nunca é tarde!

O time nasceu em novembro de 1887, como um clube de cricket e é considerado um dos mais antigos da Argentina.

Entretanto, como só existem documentos datados de 10 anos mais tarde (1897), existe muita discussão sobre a data correta.

Suas cores são o azul e branco, conforme pode se ver logo de cara, em seu brasão:

O começo do Quilmes teve uma cara mais britânica que sulamericana. Só eram aceitos sócios de origem inlgesa, e o cricket era o esporte mandante.

O futebol só foi aparecer em 1898, graças a alguns ingleses futeboleiros que ingressaram no clube, enquanto que sócios argentinos só foram fazer parte do clube no início do século XX.

Logo em 1912, ainda no amadorismo, conquistou seu primeiro título argentino; “Campeão da Associação Amadora”, com o time abaixo:

Em 1931, quando o futebol profissional surgiu na Argentina, o Quilmes decidiu profissionalizar-se e assim disputou o primeiro torneio profissional do país.

Veja abaixo o time de 1932:

Em 1937 foi rebaixado para a Segunda Divisão, de onde retornaria mais de 10 anos depois, em 1949, com o título de Campeão da Primeira B, com o time:

Em 1951, nova queda à Primeira B, onde ficou mais 10 anos, saindo com o título de 1961 (na verdade o campeão foi o Newell’s Old Boys, mas uma investigação conseguiu comprovar uma “mala branca” do time de Rosário, dando o título ao time cervejeiro).

Infelizmente a permanência foi breve e já em 1962, o time volta à Primeira B.

Em 1965 um vice campeonato traz o Quilmes de volta à primeira (o Colón foi campeão).

Mas, em 1970 nova queda a B, de onde retornaria em 1975, com mais um título! (San Telmo foi o vice).

Em 1978, o time conquista o título maisimportante de sua história, o do Campeonato Metropolitano, e com isso consegue acesso à sonhada Libertadores de América.

Em pé: Fanesi, Palacios, Milozzi, Gáspari, Zárate y Medina. Agachados: Milano, Bianchini, Andreuchi, Gómez y Salinas.

En 1979, disputou a Copa Libertadores de América num grupo que tinha o também argentino Independiente e os colombianos Deportivo Cali e Millonarios, mas não conseguiu se classificar para a segunda fase. No ano seguinte, voltou a Primeira B após uma campanha fraca.

Em 1981, Quilmes mostra que é o rei do sobe e desce e retorna à primeira, sendo vice campeão (o campeão foi o Nueva Chicago).

Já 82 foi o ano dos extremos. No primeiro semestre realizou belíssima campanha e foi vice campeão conseguindo o acesso ao torneio nacional, entretanto, no segundo, conseguiu ficar em penúltimo caindo para a Primeira B.

Em 1986 surge o torneio Nacional B, e como o Quilmes não conseguiu disputá-lo, teve que jogar o equivalente à terceira divisão argentina. O processo de divisão lá é diferente do nosso, como você já deve ter percebido.

Assim, o título conquistado na temporada 1986/87, da Primeira B dá acesso ao Nacional B.

Como comemoração do centenário, em 1987, o Presidente José Meiszner promete a construção de um novo estádio, que só viria a se concretizar anos mais tarde. No jogo de estréia, em 1993, houve uma partida entre o time de 1978 contra uma equipe que reuniu jogadores de todas as épocas do time.

Mas vamos ver o estádio que o time mandava seus jogos até então, o “Guido e Sarmiento”:

A temporada 1990/91 é mais uma feliz campanha do Quilmes. Com a conquista do campeonato Nacional B, é hora de voltar a Primeira Divisão.

Mas, adivinhe… Na temporada seguinte… Novo rebaixamento, e a volta ao Nacional B.

A partir da temporada 1995/96, o estádio Centenario torna-se a casa do Quilmes. Veja um pouco como é a atual casa do time:

Nas temporadas 1999/2000 e 2000/01 mesmo sendo vice campeão da Primeira B Nacional, não conseguiu o acesso pois perdeu o jogo de decisão contra o Belgrano, o acesso só viria na temporada seguinte ao vencer o Argentinos Juniors, na decisão.

Na sequência, o time alcançou a Libertadores ao terminar na quinta colocação da temporada 2003/04, com o time abaixo:

Em 2005, após eliminar o Colo-Colo na chamada “Pré Libertadores”, o time argentino caiu no grupo do Sao Paulo, Universidad de Chile e The Strongest. Pra quem não se lembra foi aquele ano que ficou marcado pela acusação de racismo do Grafite contra o Desabato. Novamente o time não passou da primeira fase. 

Nas temporadas seguintes o time teve um mal desempenho, mas manteve-se na primeira divisão até a temporada 2006/07, quando voltou para a Primeira B, onde segue até então.

Vale destacar a amizade que o time e a torcida tem com o time Chicago, antigo rival. A amizade nasceu no início da década de 70, auge do peronismo, que estava bastante presente nos sindicatos. E como os sindicatos possuiam torcedores de ambos os times, dentro deles foi surgindo um maior relacionamento entre torcedores dos dois times e que acabou sendo oficializado nas arquibancadas. A amizade chegou a prestar ajuda num momento difícil, quando após um acidente com o onibus do time cervejeiro, em 1984, torcedores do Chicago se colocaram prontos a ajudar no transporte dos machucados para o hospital.

 

Achei um site aparentemente mantido por torcedroes muito legal: www.cervecero.com.ar

Um pouco da visão das arquibancadas :

E que tal olhar umas fotos da torcida Cervejeira e do dia a dia do time ao som de… Roberto Carlos??? (Calma, que é na versão do A77aque!!):

Para maiores informações, o site oficial do time é www.quilmesaclub.com.ar 

Apoie o time da sua cidade!

60- Camisa do All Boys

abril-1891

A 60a camisa do blog pertence a um time que eu gosto muito, e que só conheci nos anos 90. Trata-se do Club Atletico All Boys, da Argentina.

E tenho logo duas camisas deles.

Uma é essa aí em cima, que me foi dada de presente por “Mr George”, um baixista da cena punk argentina, que esteve aqui pelo Brasil tocando com o “Muerte Lenta“, nos anos 90.

Foi ele quem me apresentou o time (ele era um hincha fanático). Alguns anos depois, tive a oportunidade de ir até Buenos Aires (minha primeira visita à capital) e por coincidência fiquei  no bairro de Floresta. Aí… o All Boys acabou virando o time que eu mais gosto na Argentina.

A outra camisa (abaixo), eu comprei nas proximidades do estádio, no dia em que eu, Mari, Gui, Jão e tia Janice fomos assistir ao jogo All Boys x Comunicaciones.

abril-195

Não só não é oficial, como é apenas uma regata de 15 pesos, para se ir a La Cancha! Com o apelido do time nas costas. “Los Albos”!

abril-197

Falando da história do time, o Club Atlético All Boys ou “Los Albos” foi fundado em 15 de março de 1913, e é sediado no bairro Floresta, na cidade de Buenos Aires. Suas cores são branco e preto.

Esse vídeo conta um pouco sobre a história do clube:

O nome do time foi dado devido à juventude dos fundadores, e seguiu a curiosa tradição de dar nomes em inglês para os times portenhos.

Vicente Cincotta, ex atleta de equipes como Ferrocarril Oeste, Boca Juniors e Argentino de Quilmes foi o primeiro presidente e sócio número 1 do clube.

Ainda em 1913, disputou seu primeiro torneio, na terceira divisão da “Federación Argentina de Football“, e em 1922, chegou à Primeira Divisão.

O que representa a chegada do profissionalismo ao futebol argentino é o surgimento da AFA (Asociación del Fútbol Argentino) que aconteceu em 1931, mas o All Boys seguiu no amadorismo até 1937.

O time teve seu período dourado na década de 70, quando em 1972, chegou à Primeira A, onde permaneceu até 1980. Abaixo, o time de 72:

Na temporada 1992-1993 mais um exito, o acesso a Série B Nacional.

Na temprada 1999-2000, quase voltou a Primeira A.  Desde então vinha fazendo temporadas apenas regulares caindo para a Segunda B, até que em 2007-2008 conquistou mais uma vez o acesso à Primeira B

Relembre essas conquistas:

O acesso conquistados na temporada 2007/08 é o mais recente e foi bastante comemorado, já que o clube vinha de um longo período sem conquistas. A torcida foi a loucura e parou o bairro Floresta:

Manda seus Estádio Islas Malvinas, estádio de 1963, com capacidade para 19 mil torcedores. Abaixo, eu, a Mari, o Gui e o Jão, em frente ao estádio.

allboys

A dica é chegar mais cedo, comprar o ingresso e enquanto espera a hora do jogo, comer uma pizza ali nas redondezas do estádio.

Naquele jogo, que fomos assistir, foi inaugurada uma nova seção da arquibancada. Ali, no canto inferior direito tem um pedacinho do cabelo da Mari e da minha cabeça.

jogo do all boys

Não me pergunte como, mas conseguimos perder a maior parte das fotos que fizemos daquele jogo…

Foi sem dúvida uma experiência única, já que ficamos bem no meio da barra, e participamos das 2 avalanches dos gols. Que gols? Veja aí como foi o jogo:

O estádio estava bem cheio aquele dia. E posso dizer que lembrou muito os jogos do Santo André, de antigamente, quando levávamos 7, 8, até 10 mil pessoas em jogos da segunda divisão. Vale lembrar que o all Boys também estava na segunda divisão, nesse momento. 

Pra quem nunca foi, entender, no meio da arquibancada estava a barra do time, e o mais curioso é que na lateral da arquibancada ficam as famílias, 2, 3 gerações de torcedores do time do bairro.

O site oficial do time é o www.caallboys.com.ar/ , mas está em manutenção, assim fica a dica do site feito pela torcida:  www.albocapo.com.ar/

Pra quem for para Buenos Aires, eu recomendo uma passadinha pelo Barrio de Floresta e ao menos uma visita ao Estádio Islas Malvinas, onde fomos muito bem recebidos. Para terminar, uma olhadinha na arquibancada pelos olhos do torcedor Albo:

Abraços!

Argentina x Brasil – A visão da mídia esportiva

Brasil x ARGENTINA

Deixei passar um tempo desde o dia que vi este anúncio para poder escrever esse post e ouvir os comentários sem a influência do jogo ou mesmo do placar, independente de quem vencesse.

Antes de mais nada, deixo expresso que acho a ESPN um canal corajoso, inovador, dedicado e muito interessante.

Já vi vários documentários que eles fizeram sobre "lugares não comum" no futebol, e sem dúvida são um dos principais fomentadores não só do futeobl mas dos esportes em geral.

Até mesmo por isso, não posso deixar de dizer que foi no mínimo um erro o anúncio que convidava os telespectadores a assistir o jogo pelo canal pago.

Numa época de tanto ódio e ignorância vivendo próximos, a associação do esporte com a guerra me soa rude, desnecessária, triste e perigosa.

Particularmente me incomoda muito mais porque eu e a Mari temos ido sempre que possível para Argentina e consideramos alguns amigos de Buenos Aires como parte da nossa família.

Soma-se isso à admiração que sempre tive pelo estilo portenho de se jogar e pelas bandas de punk rock de lá que sou fã (Doble Fuerza, Ataque 77, Muerte Lenta, Argies, entre outras), e o resultado é uma relação de admiração, respeito e de "rompimento de fronteiras", onde não existe lugar para essa necessidade de separar, dividir e comparar num sentido competitivo as duas culturas.

Em terras portenhas nunca tivemos qualquer problema relacionado à Xenofobia ("ódio/medo de estrangeiro"). E olha que normalmente fazemos um rolê que até passa pelo lado turístico, mas que é muito mais presente no lado "cotidiano" de Buenos Aires, o que quer dizer ônibus, caminhadas de quadras e mais quadras, Estádios, cinemas, Shows, bairros longínquos, etc.

Sendo assim, sinto me a vontade para dizer que a ESPN perdeu a oportunidade de mostrar algo muito mais criativo e construtivo do que foi apresentado. Um cogumelo de fumaça, índice de uma bomba. De um embate entre exércitos inimigos, de guerra. De ódio. De morte.

Me pergunto se existe como mensurar o resultado de um anúncio como esse, mesmo sabendo que é impossível saber quantas pessoas decidiram assistir ao jogo pela ESPN graças ao anúncio.

Vou tentar enviar este post aos responsáveis pelo anúncio da ESPN para ouvir a opinião deles.

Porque pra mim, tinha tanta coisa legal melhor que poderia ser usada ao invés da "bomba". Temos tanta coisa em comum, do amor ao futebol, passando pela música, aos problemas sociais…

Desculpem, mas para mim, esse papo de que brasileiros e argentinos se odeiam é papo de jornalista que não percorre as ruas a pé. Que vive na redação até bem tarde. Ou, no caso, de publicitários que preferem utilizar o "caminho padrão", a solução que fica numa caixinha, ali na prateleira, pronta para ser usada quando possível, ao invés de pensar em algo inovador.

Essas são as pessoas que por tanto tempo alimentaram e enviesaram corações e mentes dos brasileiros.

E é por isso que agradeço ao poder da internet, onde, ao menos para você que lê esse post até aqui, minha voz e opinião tem o mesmo peso do que produzem jornalistas e publicitários "padrão".

Tenho visto que muitas pessoas começaram a despertar desse transe, e por incrível que pareça, principalmente nas periferias do Brasil. Lá, é cada vez mais comum se encontrar pessoas usando camisas da Seleção Argentina, do Boca, River, Racing e outros times.

Não sou o dono da verdade e nem peço uma aproximação forçada entre brasileiros e argentinos, mas termino esse post perguntando se faz mesmo sentido para nós, cidadãos comuns, manter essa "rivalidade ignorante", sem questionar jamais.

Por favor, comente, diga se sou só eu que acho errado esse movimento da mídia para criarmos (ou mantermos) tal rivalidade.

Pra fechar, algumas frases do som "Disturbios" do Doble Fuerza, banda punk de Bs AS:

"…Violencia en las canchas, violencia en la ciudad…
…Ellos no lo comprenden, pero lo van a comprender
La juventud separada es mas facil de vencer…"

E um pouco do Ataque 77 mostrando que existe sim admiração entre as culturas:

37- Camisa do Olimpo

feriado 200

Com a Camisa do Olimpo, voltamos à Argentina, graças ao presente do amigo e “brother in football” sr. Mandioca, que devido ao seu polêmico post, agora também é chamado de “Mano Corinthians”.

O Mandioca (vocalista do Fora de Jogo, banda que eu também toco) esteve na Argentina por duas vezes esse ano, o cara ficou a vida toda sem ir e agora foi assim, duas seguidas…. Mas eu sei como é… A Argentina é mesmo um lugar mágico pra quem gosta de rock, política e futebol.

mands

Mas vamos ao nosso propósito. O Mandz me deu de Presente a Camisa do Club Olimpo de Bahía Blanca, el “Capo del Sur”, cujo site oficial é o www.aurinegro.com.ar .

olimpo_176x220

O clube foi fundado em 15 de Outubro de 1910 em Bahía Blanca, uma cidade distante cerca de 650km da capital Buenos Aires.

BahiaBlanca-Abril-2008

Jorge Avellanal foi o primeiro presidente, e logo decidiram em assembléia que o nome do time seria Olimpo, numa referência ao monte que a mitologia grega diz ser a “berço e morada dos Deuses”. E foi o presidente quem propos as cores preto e amarelo, já que era simpatizante do Penarol, por ter nascido no Uruguay.

Hoje o clube é o mais importante da cidade de Bahía Blanca, atuando não só no futebol, mas em outros esportes.

Mas é o futebol o centro das atenções, e é o maior ganhador da história da “Liga del Sur” além de ser o primeiro time da região a disputar uma competição nacional.

Manda seus jogos no Estadio Roberto Natalio Carminatti

remodelacion_02

Carminatti2

olimpo

Apesar de ser um time distante da capital, possui uma torcida apaixonada e que comparece, confira esse especial de imagens:

E como em todos os lugares, e não só no futebol, em Bahia Blanca também existe a questão da violência. No final de fevereiro deste ano, Daniel Guzmán, líder da “Barra Brava” do time foi assassinado, no bairro Bajo Rondeau. Aparentemente o autor do crime foi outro torcedor do time, numa clara disputa pelo poder.Uma pena, mas uma realidade.

Após uma boa temporada em 2006/2007, o time foi mal na temporada seguinte e atualmente disputa a “B”.

Pra finalizar, e melhorar o clima, compartilhe alguns momentos no estádio no meio da hinchada:

Rolê por Buenos Aires parte 2

buenos-aires-246

Bom, encerrando minha história boleira por Buenos Aires no carnaval, acho que vale a pena contar sobre como é o mercado argentino de material esportivo e produtos relacionados aos clubes.

Aqui no Brasil, quando penso em comprar uma camisa, me sinto refém de dois tipos de comércio. A gente tem que optar entre lojas como a “Roxos e Doentes”  que vendem uma grande gama de camisas, shorts e demais materiais esportivos, mas tudo a um preço sempre salgado,  e o mercado informal, que vende as camisas piratas de baixa qualidade, mas a preços acessíveis.

Em Buenos Aires é comum encontrar camisetas “cópias” que conseguem aliar qualidade e preço (ou seja, não são tão caras quanto as oficiais, nem tão vagabundas quanto às piratas convencionais).

Além disso, vale lembrar que a gama de produtos vendidos relativos aos times é enorme, e muito bem distribuída (ainda que boa parte não seja licenciamento da marca, mas sim mera exploração). Canecas, cachecóis, camisetas, bandeiras, canetas, bottons, adesivos, blusas, bolas, meias… Tem de tudo e de TODOS os times.

Dessa última viagem voltei com um shorts do Tigres, presente do amigo Tano, vocalista da banda Muerte Lenta. O Tigres é um time que nem é tão conhecido aqui no Brasil, mas que tem produtos facilmente encontrados.

tigres-003

Voltei com mais cds do que camisas desta vez. Só trouxe 2, uma do Estuidiantes e outra do Quilmes, que depois eu posto aqui.

A cultura do futebol é mais presente. Das lojas da periferia, ou do Bairro Once (a 25 de março de lá) até as arborizadas e ricas ruas da Recoleta, onde os boleiros mais abonados pagam caro numa pizza no bar Loucos por futebol. Abaixo, a Mari se diverte vendo os preços e comemorando que eu é quem iria pagar a conta. (O cardápio é bem legal) 

buenos-aires-028

Valeu também dar uma outra olhada no estádio do Al Magro, que fica na periferia (ou seja, fora da Grande Buenos Aires).

Fiquei sabendo um pouco mais sobre o San Telmo, time do bairro homônimo, onde fiquei hospedado num hotelzinho por menos de R$40 o casal. Depois conto mais sobre o time.

Enfim, se vc curte futebol, não tem o que pensar. Tem que conhecer a Argentina….

28- Camisa do Independiente (Argentina)

dsc04807

Aproveitando minha viagem, vou falar dessa camisa que chegou a mim pelo amigo Oliver (foi ele quem me conseguiu a do Yoklomaha Fluggels também).

O mais legal dessa camisa é que o Gui (baterista da banda que toco, o Fora de Jogo) é apaixonado pelo Racing, o maior rival deles, assim, além de ser uma camisa muito bonita (o tecido é aquele algodão antigo) eu ainda consegui um ítem pra causar uma polêmica com ele hehehe.

O site oficial do time é www.independiente.com .

independiente-logo

O Club Atlético Independiente é um time de Avellaneda, um Município da Grande Buenos Aires, mais ou menos como é qualquer cidade do ABC em relação à grande de São Paulo.

É conhecido por ser o time que mais ganhou Libertadores, foram 7 títulos. É chamado de “El Rojo” ou “Los Diablos Rojos” .

diablo-800x600ll

A rivalidade com o Racing chega a ser curiosa, se pensarmos que os estádios estão distantes algumas quadras um do outro. Aliás, o estádio do Independiente é o “Libertadores de América”, também conhecido como “La Doble Visera”, com capacidade para quase 53 mil pessoas.

independiente

 

 

A torcida do Independiente é bem barulhenta, tive a oportunidade de ver a chegada da barra ao estádio do Huracan no último clássico de Avellaneda. Existe um site bem interessante feito pelos torcedores: www.infiernorojo.com

E que tal comemorar um gol com los rojos?

Abraços!

Rolê por Buenos Aires parte 1

Bom, vou fazer um breve resumo da parte “boleira” do meu rolê por Buenos Aires. 

Logo de cara, eu e a Mari fomos visitar La Bombonera. Já fui várias vezes e a cada nova visita, sinto um novo arrepio. É sem dúvida um dos templos mundiais do futebol.

buenos-aires-151

buenos-aires-156

E como o Boca jogava fora de casa, ou seja, não daria pra assistir nenhum jogo ali, aproveitei pra revisitar o Museu do Boca, que tem que servir de referência para qualquer clube do mundo.

Um museu que alia diversão e informação. Não é a toa que tem sempre movimento, independente da época do ano. A foto abaixo mostra uma parte do painel com fotos de todos os jogadores que já passaram pelo time. O terceiro da esquerda para a direita, da fileira de baixo é o brasileiro Heleno de Freitas, que segundo as lendas, teve um pequeno caso com Evita. 

buenos-aires-136

Para os loucos por camisetas e adereços, eles guardam mostras de uniformes de todas as épocas, sem contar os vídeos, e demais arquivos que mantém viva a memória do time.

Fiquei pensando como seria se cada clube brasileiro tivesse um quartinho com suas memórias guardadas… Tantos times que já nem disputam mais o futebol profissional… Triste né? Em breve ninguém se lembra.

buenos-aires-145

Fomos visitar um casal de amigos, o Hugo do Doble Fuerza e a Joana e a filhota Augustina, e eles moram em Parque Patrícios, há 3 quadras do estádio Tomas A. Ducó, a casa do Huracan.

huracan

Infelizmente não conseguimos ir ao estádio, pois no mesmo dia teria o clássico Independiente x Racing (2×0) e não conseguimos ingressos pra partida, e sem ingressos não ia ficar passeando de bobo no meio das hinchadas que formam o segundo maior clássico da Argentina.

O Independiente venceu por 2×0.

classico2 

classico

No dia seguinte, fomos conhecer o berço de Maradona, o Estádio do Argentino Juniores, que leva o nome do craque. Após dois dias de calor de 40 graus, pegamos uma bela chuva durante os 45 minutos de onibus e 10 minutos de caminhada até chegarmos ensopados ao Diego Armando Maradona.

Um estádio charmoso, todo coberto por desenhos e grafites, e pequeno. Chega a lembrar a Rua Javari. A nossa única decepção é que não deixaram a gente entrar pra bater umas fotos lá de dentro.

buenos-aires-192

buenos-aires-205

buenos-aires-210

Depois fui até a casa do nosso amigo Tano (vocalista da banda Muerte Lenta) que nos surpreendeu nos recebendo com uma antiga camisa do Santo André, que lhe dei de presente há quase 9 anos atrás.

buenos-aires-052

O Tano mora muito perto do estádio do Almagro. Aguardem a continuação dessa aventura…