Camisa 80- XV de Caraguatatuba

A 80ª Camisa da coleção vem da praia. E de uma praia paulista, Caraguatatuba, destino comum a quem mora no interior ou mesmo na capital do estado.

O time dono da camisa é o Esporte Clube XV de Novembro de Caraguatatuba, que infelizmente está licenciado do Campeonato Paulista (ao menos quando escrevo este post, em 2010).

 

O detalhe é o número da camisa… “16”, relembrando o meu irmão Murilo, que jogava com esse número.

Consegui a camisa no próprio Estádio e parecia ser uma das últimas!

O XV de Caraguatatuba foi fundado em 18 de fevereiro de 1934, pelo espanhol Prudêncio Baeta, para disputar jogos do futebol amador, na cidade.

De 1940 a 1947 as atividades do XV ficam suspensas devido à II Guerra Mundial.

Em 1947,  começa a segunda fase do XV.

O clube é reformado, ganha uma nova sede social, no local onde atualmente está a Galeria Santa Cruz.

O uniforme passa a ter as cores verde e branco, em homenagem ao Palmeiras.

Em 1953, o E.C. XV de Novembro passa a funcionar no bairro do Tatu, onde está até hoje.

O primeiro campo do time localizava-se onde é hoje o Banco do Brasil, no centro, em seguida mudaram para o local onde fica o Polo Cultural Adaly Coelho Passos, na Praça Cândido Motta.

Em 1967 ocorre a “catástrofe” em Caraguatatuba.

A cidade foi destruída por uma forte chuva que causou avalanche de pedras, árvores e lama dos morros Cruzeiro. Jaraguá, Jaraguazinho, próximos a cidade, sepultando vários habitantes.

O belo cenário da região se transformou em um grande cemitério. Falou-se em 500 mortos, oficialmente, mas as pessoas dizem que foram muitos mais…

Muitos corpos jamais foram encontrados, principalmente aqueles  que foram arratados para o mar e impelidos pelas ondas para pontos bem distantes.

O Rio Santo Antônio, que corta a cidade alargou-se de 40 para 200 metros.

O campo do XV foi totalmente destruído…

Somente vinte anos depois, em 1987, o então presidente do clube, Irineu Mendes de Souza, reestruturou e profissionalizou o XV, levando o a disputar a quarta divisão do Paulista.

A partir daí, começou a disputar as divisões de acesso até que em 1993, devido a uma crise financeira, o clube deixou de disputar o Estadual.

Em 1994, o clube voltou a disputar o Campeonato Paulista da Série B-2 (na época a sexta divisão) e conquistou o acessopara a série B-1B.

No ano seguinte, mais um acesso, desta vez à série B1-A, vencendo o Palmeiras, de São João da Boa Vista, por 1 a 0.

Em 1996, o time surpreendeu ao perder a vaga para a Série A-3 nos minutos finais do jogo contra o Garça.

No ano seguinte, o XV de Caraguatatuba realizou uma grande campanha e chegou ao quadrangular final. Conquistou o vice-campeonato, subindo assim para a série A3 (terceira divisão).

Porém, o clube não conseguiu ampliar a capacidade de seu estádio para 10 mil lugares (como exige a Federação Paulista) e teve que voltar a disputar a Série B1-A.

Em 2005, o time ainda estava na sérieB1-A, e disputava os jogos com o elenco abaixo (retirado de um post do pessoal dos Jogos Perdidos):

Em 2006, a diretoria do XV mais uma vez licenciou o clube devido às dificuldades financeiras, fato que infelimente persiste até os dias atuais.

Entretanto, a diretoria vem trabalhando em prol do clube, a começar pelas categorias menores, conforme conversamos na nossa visita ao Estádio, também conhecido como “Toca do Leão“.

Mesmo com tantas conquistas vimos poucos troféus, a explicação é que a sede do clube foi furtada 4 vezes, perdendo se troféus e arquivos .

Infelizmente, o time, assim como muitos outros times do interior paulista passa por uma situação bastante difícil e só conseguirá reabrir as portas para o profissionalismo com alguma parceria.

A população também promete se unir em prol do time, ao menos é o que comentam na comunidade do clube: www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1241460

Uma pena, que o estádio dificilmente será usado profissionalmente outra vez…

A esperança pode estar também nas categorias menores… Quem sabe um desses garotos não pode ser um futuro craque.? 

A parte interna do campo apresenta um bom gramado, e uma arquibancada um pouco esquecida…

Mas sem dúvida, num visual único, encrostado no morro.

E se tem estádio perdido, registremos nossa presença!

E a presença da molecada que prometeu defender a camisa do XV!

Apoie o time de sua cidade!

Sem você, não há cultura local…

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Rolê (não muito) boleiro pelas Cidades Históricas de Minas Gerais – Parte 1

E lá fomos nós para mais um rolê pelo Brasil adentro… Feriado de 3 de junho e fomos visitar o chamado “Circuito Histórico”, de Minas Gerais. Subimos no ônibus, aqui em Santo André na quarta a noite e descemos em Belo Horizonte, na quinta de manhã.   

Já na própria quinta feira, fomos conhecer a cidade de Congonhas do Campo, conhecida por ter várias obras do artista Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Na foto abaixo, estamos em frente ao Santuário Bom Senhor de Matosinhos.

As esculturas em frente a Igreja são os “12 profetas”.

Ao fundo pode se ver um campo de futebol, pode se ver um campo de futebol, provavelmente o Estádio Pedro Arges, do Esportivo, time amador da cidade.

Descobrimos que existe a “Seleção de Congonhas” que costuma dispoutar amistosos com equipes amadoras e até profissionais.

Ah, e demos a sorte de encontrar e conhecer o Frederico, editor do www.camisariafutebolclube.blogspot.com , um excelente blog sobre camisas de futebol. Mundo pequeno para quem coleciona camisas, né??

Como estávamos fazendo o passeio de ônibus, acabamos voltando pra BH, sem passar pelo Estádio, ou mesmo conhecer melhor o Esportivo ou a Seleção local.

Em BH, fizemos uma rápida tour pelo centor da cidade, conhecendo um pouco da história e arquitetura da capítal mineira.

Ah, claro, e da gastronomia local também…

Antes de seguir viagem, uma parada para conferir o belo horizonte de Belo Horizonte… Piadinha manjada né??

Enquanto nossa excursão seguiu para a Igreja da Pampulha, demos uma corrida e fomos bater umas fotosdo Mioneirão, que dias depois seria fechado para o início das reformas para a Copa do Mundo.

E se tem estádio, a gente tem que marcar presença!

O turismo futebolístico ainda é pouco explorado no Brasil, e BH se inclui nesse aspecto, mesmo contando com um belo Museu no Mineirão, ainda são poucos os turistas que se interessam em conhecê-lo.

O Museu tem uns páinéis bem legais, do Estádio!

Parece mesmo que a gente tá lá dentro, né?

E são fotos, troféus, objetos… O Futebol merece esse carinho e essa história!

Eu sou vidrado nessas bolas antigas…

Indo até as arquibancadas, pudemos conferir um rachão bem a vontade… 

Confesso que nunca assisti um jogo no Mineirão. Só de estar nas suas arquibancadas, com meu blusão do San Lorenzo já fiquei emocionado…

Pra quem nunca foi a BH, o Mineirão deve ser incluído como parada!

Juventus, de bem com a torcida!

Sábado foi dia de conferir um confronto único no atual momento do futebol.

De um lado, vindo da Moóca, a tradição grená do Juventus, do outro, oficialmente vindo de Campinas, mas sem uma cidade a defender, a nova cara da administração esportiva, o Red Bull.

Comparar os dois times, é mais ou menos como comparar o tradicional caldo de cana…

Aos energéticos vendidos pela marca, em supermercados e lojas de conveniência…

Entre um e outro, a torcida juventina preferiu a cerveja mesmo, no aquecimento, ali ao lado do estádio…

Pra quem achava que a queda para série A3 iria estragar a relação com a torcida, as filas antes de jogo comprovam que há um novo momento de amor entre clube e torcedores!

Dessa vez, além da nossa pequena legião de andreenses (vale lembrar que mesmo sempre presentes, somos torcedores do Ramalhão), contamos com o Élcio, sua namorada e o Guga (que nos ajudou na dura missão de tentar eliminar os canoles da face da Terra, da maneira mais difícil…. comendo todos!)

A setor 2 estava presente em bom número. A “banda más loca da Moócca” vem se transformando num efervecente movimento cultural representando as várias facetas da juventude do bairro, vale a pena conhecer.

O pessoal que prefere não tomar sol (e tem feito bastante sol nos jogos do Juventus), lotou as numeradas e fez sua parte no belo cenário.

A marcação homem a homem não ficou só no campo. O goleiro adversário mereceu cuidado especial!

E mesmo atrás do outro gol (onde normalmente fica pouca gente) estava repleto. Pronto. Estava tudo certo pro Moleque Travesso brilhar!

Mas…  Em campo a batalha foi dura, e tudo o que o Juventus conseguiu foi um empate por 1×1, contra um adversário que tem uma estrutura invejável. Entretanto, segundo a torcida Juventina, amor não tem preço…

E se esse amor não se compra, o pessoal da Moóca tem se esforçado para reacender a chama dessa paixão nos moradores do bairro. Pra isso, o clima dentro do Estádio tem colaborado bastante.

Não dá pra entender como um morador do bairro prefira torcer para outro time, vivenciando o que tem acontecido nos jogos do Juve.

O amor transborda, a diversão também. Enfim, reflete o papel social mais nobre do futebol, que é a integração entre as pessoas.

E entre a família! Pai e filho confidenciam momentos inesquecíveis junto a um alambrado mágico!

Enquanto tremula ao vento a bandeira grená, que pouco representa para torcedroes dos chamados grandes, mas que devolve ao torcedor a grandeza do seu time, seja na A1, A2, A3…

E fica aí nossa presença em mais um estádio, em um jogo emocionante da série A3.

Um último momento de amizade em terras juventinas, antes de voltar ao ABC. El Pibe Gui (www.expulsosdecampo.blogspot.com) convence Gabriel (www.fototorcida.com.br) a assistir Santo André x Prudentino.

Apoie o time da sua cidade!

As vezes sua cidade é seu bairro!

Rolê em Buenos Aires parte 5 – La Bombonera

Puxa, tem tanta coisa pra eu escrever e ainda não acabei de contar como foi nosso rolê pela Argentina.

Bom, vamos a mais um dia, dessa vez contar rapidamente sobre nossa visita ao Estádio da Bombonera, do Club Atlético Boca Juniors.

Antes de mais nada, vale lembrar que já falei sobre as minhas camisas do Boca (veja aqui como foi).

Como já estávamos meio cansados, ao invés de enfrentar uma caminhada de San Telmo até La Boca, tomamos o coletivo e descemos quase em frente, como mostra a foto abaixo (caraca, como eu saí gordo nessa foto… ou … eu sou gordo assim???):

Como já havíamos feito o passeio e a visita ao Museu por 3 vezes (veja um pouco da nossa última visita aqui), deixamos o Gabriel (o cara que faz as fotos do www.torcida.wordpress.com) entrar e ficamos ali por fora, só de rolê.

Demos sorte porque quando passávamos pelo portão lateral, um funcionário saia e deu até pra vermos como estava o campo…

Os caras estavam dando uma arada com um trator (sei lá se era isso mesmo…).

A Mari andando de lá pra cá e o Gabriel fotografando de tudo que é ângulo. Veja como ficaram essas fotos dele aqui!

O nome oficial de La Bombonera é Estádio Alberto J. Armando e possui capacidade para 49.000 torcedores.

O apelido deve-se à sua forma parecida a de uma caixa de bombons. 

Apenas 5 clubes brasileiros venceram o Boca Juniors em La Bombonera em competições consideradas oficiais: Santos, São Paulo, Cruzeiro, Paysandu e Internacional.

Eu acho muito foda poder estar ali num marco de resistência ao futebol moderno!

Na verdade o bairro La Boca é muito legal de se passear (não só pelo turístico El Caminito). Tem muita arte, culinária e manos que valem a pena a gente conhecer… 

Pouca gente sabe que as pinturas do lado externo do estádio são afrescos do pintor Pérez Celis, que retratou a paixão dos adeptos do clube, bem como aspectos relacionados à vida cotidiana do bairro de La Boca, como o dia-a-dia dos imigrantes italianos.

E o Estádio em si é inacreditável. Ele aparece do nada, de uma hora pra outra levanta e te assombra, como se estivesse escondido no coração do bairro!

A principal razão para isso é o pequeno espaço destinado à sua construção, iniciada em 1923, coordenada pelo arquiteto José Luiz Delpini, que deu a ideia de criar os três anéis de arquibancadas.

Já assisti alguns jogos ali e posso dizer que o mais loco é a altura que vc fica.

Lembra um pouco a Vila Belmiro, mas é ainda mais alto e os degraus da arquibancada ainda menores, você fica com a nítida impressão de estar caindo hehehe

O estádio foi inaugurado com vitória dos donos da casa por 2×1 em um amistoso contra o San Lorenzo.

Em 1952, foi instalada a iluminação para jogos noturnos.

Olhando as fotos da minha última visita, encontrei essa, que coloca o Ramalhão em campo, em plena Bombonera

Além de olhar fotos antigas, vi os posts que eu já fiz sobre esse nosso último rolê e achei que faltou falar de algumas coisas.

Primeiro do nosso hotel, que além, de barato, é muito punk. Chama-se “Brisas del Mar” e fica ali em San Telmo (veja aqui o site do hotel). Esse era nosso quarto…

Outra coisa que faltou foi eu enaltecer meus párceirosde rolê, Gabriel, Gui e Mari, que foram muito companheiros nas bons momentos e nas horas difíceis.

Faltou uma foto pra comprovar que eu tava bem gordo e bem sem noção. Sair com um shorts do Autonomos e a camisa do Ramalhão, me deram uma impressão ainda pior do que a que eu já tenho…

Os amigos do Tango 14 também mereciam um capítulo a parte.

Assim como a banda em que tocamos aqui no Brasil (Fora de Jogo), eles incluem o futebol com muita frequência em suas letras. 

Fomos ao ensaio deles e foi bem divertido!

Além dos tradicionais instrumentos, uma corneta de estádio fez a festa durante o ensaio…

Não tem idéia de como é um som Punk/Oi! boleiro?

Ouve aí uma das melhores músicas do mundo (na minha opinião):

Ah, e como deixar de falar na banda do nosse hermano Hugo, o Doble Fuerza? Pegamos um ensaio deles e ainda assistimos o DVD de 25 anos da banda…

Quer ouvir os caras?? Ouve aê…