27- Camisa do Fortaleza

 

De volta da Argentina, sigo meu caminho por outros estados, em busca das 1.000 camisas. Voltemos ao Ceará (de onde já mostrei a camisa do Vovô, e do Ferrão, que por coincidência decidiram o primeiro turno do estadual/09)  para ver a minha camisa do Fortaleza, presente dos meus pais em uma das viagens que eles fizeram pra lá.

O site oficial do time é o www.fortalezaec.net . Seu mascote é o Leão, idéia do ex-presidente Sílvio Carlos Vieira Lima, inspirado na raça e valentia dos jogadores!

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Fundado em 23 de fevereiro de 1912 por Alcides Santos que também fundaria o Stella Foot-Ball Club, entre outros clubes, e mais tarde doaria ao Fortaleza EC o campo do Alagadiço. Ele foi um dos responsáveis pela fundação da Associação Desportiva Cearense (ADC), a atual Federação Cearense de Futebol.

alcides

O Fortaleza possui uma bela história. Que passa por altos e baixos, períodos sem títulos (como os 7 anos que ficou no fim da década de 90) e todos os tipos de fatos que só podem acabar em uma coisa: Uma imensa e apaixonada torcida.

Hoje sem dúvida,  a grande rivalidade do Fortaleza é com o Ceará. Vale conferir algumas imagens das arquibancadas do time em dia do chamado “Clássico rei”:

De 2002 pra cá, o time alcançou por duas vezes o acesso à série A do Brasileiro mas chega em 2009 novamente na segunda divisão.

Seu estádio é o pequeno, mas simpático Alcides Santos, com capacidade para pouco mais de 5 mil pessoas, e que atualmente é utilizado nos jogos estaduais (menos os clássicos).

alcidessantos

E é pouco utilizado porque o Fortaleza usa muitas vezes o Castelão (capacidade de mais de 58 mil pessoas):

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E também o Presidente Vargas, com capacidade para 22.500 pessoas:

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 As cores do uniforme do Fortaleza foram inspiradas nas da bandeira francesa, o vermelho, o azul e o branco, cores estas, com as quais Alcides Santos, fundador do Clube, identificou-se na época em que estudava na Europa. O time de futebol tem como camisa principal (e mística) a camisa tricolor listrada em vermelho, azul e branco na horizontal; a camisa opcional é predominantemente branca.

Para ouvir o hino do Fortaleza Esporte Clube, clique no link a seguir: http://fortalezaec.net/Arquivos/Downloads/HinoFortaleza.wma

Como curiosidade, vale lembrar que Garrincha já vestiu a camisa tricolor, em um amistoso, em 1968, contra o Fluminense, no estádio Presidente Vargas.

O primeiro livro escrito sobre a história do Fortaleza foi “Coração de Leão”, de José Rocha, lançado em 2003, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

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Elogiado pela crítica, o livro é uma relíquia sobre a história do Fortaleza e traz muitas informações importantes, como títulos, grandes artilheiros, ídolos, curiosidades, além de relatos detalhados (com fichas técnicas) sobre duelos do Leão do Pici contra grandes clubes do Brasil.

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Buscando camisas e historias

Pessoal, estou em Buenos Aires buscando novas camisas e novas historias…

Em breve volto a postar normalmente. Tambem… e carnaval, quem estara em casa lendo um blog?

So pra constar, hoje fui com a Mariana a La Bombonera, e mais uma vez ao Museu do Boca…. Coisa fora de serie…

Assim que voltar faco um post completo com um teclado que tenha acentos…

Abracos

Published in: on 20 de fevereiro de 2009 at 12:53 AM  Deixe um comentário  
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Osmar Santos e família

Puxa, essa semana que passou eu tive o prazer de almoçar com uma das lendas do rádio esportivo brasileiro Osmar Santos …

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Aliás, não só com ele, mas também com Odinei Edson, narrador e jornalista ligado ao automobilismo (um dos responsáveis pelo portal Tázio e Oscar Ulisses, narrador de futebol. Uma família e tanto não?

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O Odinei sabe tudo de automobilismo (de Stock Car à Fórmula Truck, passando
pela Indy e F1). Tem uma proximidade com o irmão que parece coisa de criança, é incrível.

Oscar Ulisses é quem atualmente está trabalhando mais próximo da nossa paixão, o futebol. Falamos um pouco sobre o time do Marília (já que eles moraram lá, um bom tempo), e sobre a visão diferenciada que um jornalista que viveu no interior pode ter pro jornalismo esportivo.

Mas confesso que minha atenção ficou mais focada em Osmar Santos. Uma pessoa única, com uma presença de espírito que faz a gente querer passar o dia todo ao lado dele. Suas palavras emocionam.

Fiquei emocionado e me lembrei claramente de uma tarde da década de 80, quando o gradiente da sala “tocava” um Palmeiras x America com narração de Osmar Santos. Junto das figurinhas (leia o post abaixo), o rádio foi um dos motivos pela minha paixão ao futebol.

E eu que normalmente falo muito, fiquei a maior parte do tempo quieto. Curtindo comigo mesmo aquele momento. Tinha muito conteúdo ali. E mesmo com toda essa bagagem, um mais humilde que o outro. Profissionais da velha guarda. Cumprimentos com olhos-nos-olhos.

O tempo passsou depressa. Logo me vi em casa comentando com meu pai o encontro. Ele me perguntou se eu pedi um “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”. Confessei que na hora fiquei sem jeito, e depois me arrependi…

Todo mundo deve pedir isso, mas… as vezes qual o problema de ser como todo mundo?

Fiquei pensando nos futuros narradores. A maior parte deles, criados nas grandes cidades, formados em Universidades de renome, mas que jogaram muito pouco (se é que jogaram) nos campos de Várzea.

Provavelmente torcedores dos chamados “grandes clubes”. Com histórias muito bem contadas, mas… que pouco se diferenciam umas das outras.

Mais uma vez aquele sentimento de nostálgia e de fim de filme me abateu. Os tempos mudaram. O futebol mudou. Preciso entender.

Pouco antes do almoço encerrar, contei a eles do meu blog e da minha missão de reunir as 1.000 camisas. O Osmar me pergunta se eu tenho a do Catanduvense. Digo que não.

Saca a inseparável agendinha e disca um numero no celular. Diz com voz forte: “Márcio? Boa tarde” e me passa o celular.

Era o presidente da camara de Catanduva, a quem explico, um pouco sem jeito a situação. Ele pede meu endereço e diz que fará o envio da camisa em breve. Pede que mande um abraço ao Osmar.

O mago da comunicação fala pouco, mas ainda faz acontecer. Fantástico… Algumas pessoas ainda me fazem acreditar que nem tudo está perdido.

Será?

O mito das figurinhas

São vários os fatos que levam uma pessoa a se apaixonar pelo futebol.

Pode ser a herança cultural familiar, pode ser simplesmente porque o cara é bom de bola, pode ser por morar perto de um estádio, enfim… Diversos motivos.

Hoje, com 31 anos, eu paro e me pergunto… Mas o que me fez viciar no detalhismo do futebol? Porque não falo de um gosto somente pelo jogar, mas pelo assistir, pelo torcer, pelo conhecer…

E foi remexendo na minha memória que me lembrei de um fim de tarde, onde meu pai chegou em casa trazendo 100 pacotes de figurinhas (uma remessa ousada pra época – 1987).

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Claro, foi isso! As figurinhas! Eram minha principal fonte de informação, muito mais que o jornal, que ainda soava adulto demais, e a Placar que eu não tinha tanto acesso.

Luís Carlos Tófolli, Cláudio André Mergen e Raimundo Nonato Tavares da Silva eram nomes fáceis pra qualquer criança de 10, 11 anos. Nossos pais os conheciam apenas superficialmente por Gaúcho, Taffarel e Bobô, mas nós, os moleques do bairro sabíamos tudo. O número da camiseta, a posição, onde nasceu, onde jogou, número da figurinha, ao lado de quem ficava no campo, no álbum, enfim… Eram tempos mágicos.

Por que mágicos? Porque quase dava pra usar as figurinhas do ano anterior no álbum da época, tamanha era a manutenção dos atletas em seus clubes. Lembro do goleiro Ademir Maria (só falta eu ter lembrado errado), que era o goleiro reserva do Inter… Ele ficou anos ali… na segunda página do Inter. Jogou pouquíssimas partidas, mas era figurinha comum nos álbuns.

E as figurinhas especiais? Os distintivos? Os mascotes? Os técnicos? As figurinhas carimbadas….

Eram tempos mais divertidos. Mais simples, menos arrogantes, menos bussines.

Hoje, os poucos álbuns que são lançados trazem informações que logo se alteram graças a jogadores que trocam de time ali, no meio do ano), sem contar os vários times que não participam (principalmente Atlético PR e Corinthians) por não conseguirem chegar a uma conclusão sobre os direitos de imagem.

Forçando um pouco a memória, acho que o primeiro álbum ligado ao futebol foi o do campeonato paulista de 85, com figurinhas mais quadradas, um pouco diferente das que se tornaram tradicionais anos depois.

Tentei encontrar estes álbuns para comprar, mas…. nunca tive a oportunidade, um amigo me disse que mesmo se eu achar ainda vou pensar duas vezes porque além de tudo não são nada baratos.

A troca, o “bater bafo”, o “cata-deixa-não-se-queixa”, o “cachorro-louco”, os bolsos estufados dos  “bolos”… Existia todo um universo paralelo pra quem as colecionava.

Mas, como disse Paulo Machado de Carvalho numa entrevista que a TV Cultura reprisou esses dias…

” Certas coisas que aconteceram, nunca mais serão vistas. Nunca mais veremos um Pelé, um Maradona, nunca mais veremos um Golias (comediante), um Adoniran.”

Nunca mais veremos essa cultura inocente e heróica das figurinhas.

26- Camisa do Poços de Caldas F.C., o “Vulcão”

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Enquanto alguns aproveitaram o final de ano pra descansar, curtir uma praia, e esquecer do dia-a-dia, eu procurei traduzir meus anseios por novidades no mundo da bola em duas viagens pelas proximidades de São Paulo que fiz com a Mariana.

Prometo em breve fazer um post contando essa história, mas por hora vou contar sobre um time que até então, ainda não conhecia e fui apresentado nos últimos dias de 2008.

Trata-se do Poços de Calda F.C., ou simplesmente “Vulcão”, time da deliciosa cidade de Poços de Caldas. Aliás, o apelido do time é esse exatamente porque a cidade está situada numa cratera de vulcão, já extinto.

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O jeito que cohecemos o time foi bem engraçado. Após eu visitar o estádio Dr Ronaldo Junqueira, vulgo “Ronaldão”, decidi passar no clube que pra mim era o dono do estádio, a Caldense.

Lá chegando, após certa dificuldade consegui a camisa da Caldense (depois conto essa história num outro post , aguarde!), e um cara que acompanhou meu calvário disse “Olha, eu também coleciono camisa, e acho que vale você saber que tem outro time aqui na cidade, o Vulcão

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Engraçado né? Em pleno território da Caldense, um simpático torcedor me indicava o endereço do bar do Vulcão, onde reunem-se torcedores do time (é ali naquela avenida principal, a João Pinheiro, no número 710, na entrada da cidade).

E lá fomos eu e a Mari conhecer um novo time. O bar é um exemplo para os times daqui de São Paulo. Tem tudo para os torcedores. Camisas (modelos femininos inclusive), DVDs (enquanto o Santo André negou-se a fazer um DVD sobre o acesso à série A do brasileirão, eles fizeram um sobre o acesso ã 2a divisão mineira), adesivos, poster do time, enfim… Tudo o que um bom marketeiro poderia planejar.

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Além disso, a “velha guarda” do time estava por ali reunida. Opa… Velha guarda?? É até difícil chamá-los assim, primeiro porque era uma moçada bem jovem e segundo porque o próprio time é super recente.

Juntos, assistimos alguns DVD’s mostrando a história do acesso e apresentando os diversos projetos do time, que envolve dos menores carentes até a terceira idade.

Bom, o time foi criado em 2007, relembrando o antigo Poços de Calda F.C., que surgiu em 1934, e teve uma breve existência. Possui uma excelente estrutura, com centro de treinamento, e um belo trabalho de marketing. Seu mascote é um Quatí.

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As cores da camisa são bem diferenciadas. Laranja, preto e cinza, numa combinação única no futebol brasileiro, pelo que me lembre.

O grande rival do Vulcão é a Caldense. Veja algumas cenas do último clássico:

Bom, então assim, descobri que o estádio Ronaldão é também a casa do Vulcão, possui capacidade de 10 mil pessoas, veja algumas fotos:

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O site oficial do time é: www.pocosdecaldasfc.com.br

Se você ficou com vontade de saber como deve ser assistir um jogo do Vulcão, não passe vontade:

Fica aqui nosso cumprimento pela maestria com que vem sendo conduzido o time, e com a hospitalidade que fomos tratados. Vamos ver se esse ano aparecemos por lá pra ver um jogo!

Leia, porque pode ser o futuro do seu time (ou do meu)

Segue um texto denso, de DAVID RUNCIMAN, mas que precisa ser lido pelos apaixonados pelo futebol.

Saiu no caderno MAIS da Folha de SP de 1/2/09.

 

Quando era mais moço, eu torcia por um time de futebol, que já não existe, o Wimbledon FC. A equipe jogava no Plough Lane, estádio pequeno e cambaio em uma parte feia do sul de Londres, e seu estilo de futebol era duro e robusto. Isso desagradava os adversários, mas aquecia o coração dos torcedores, especialmente quando permitia que a equipe superasse times mais sofisticados e fastidiosos, que muitas vezes jogavam lá como se tivessem pregadores de roupa nos narizes.

Quando o Wimbledon foi convidado a integrar a Football League, em 1977, na quarta divisão na época, passei a me considerar torcedor e a fazer a longa jornada até o final da linha District, para assistir a partidas contra equipes como o Rochdale e o Darlington. Após apenas duas temporadas na quarta divisão, o time conseguiu subir para a terceira, mas caiu de volta na temporada seguinte.

O mesmo fenômeno se repetiu nas duas temporadas subsequentes, com ascenso seguido de descenso. No começo dos anos 80, o Wimbledon, que atraía públicos regulares de apenas alguns milhares de torcedores e punha em campo uma equipe de jogadores sólidos, mas não espetaculares, parecia ter encontrado o seu lugar no futebol. Mas então aconteceu algo completamente inesperado. O Wimbledon subiu em 1983, e isso foi seguido não por uma queda mas por novo ascenso; depois de duas temporadas reconhecendo o terreno na segunda divisão, o time subiu ainda uma vez, chegando à primeira divisão. Subitamente, eu estava indo a Plough Lane para ver o Wimbledon enfrentar equipes como o Manchester United, o Arsenal e o Liverpool. Azarão Mas, surpreendentemente, o Wimbledon se deu bem na primeira divisão e manteve seu posto entre os grandes times do país por inacreditáveis 14 temporadas. Em 1991, o time teve de se mudar para o estádio de Selhurst Park, dividido com o Crystal Palace, quando se tornou claro que Plough Lane não poderia ser adaptado.

Um ano mais tarde, o nome da primeira divisão passou a ser Premier League, e o dinheiro começou a fluir ainda mais para os grandes clubes, o que tornava a posição do Wimbledon, uma equipe que nem mesmo tinha estádio próprio, ainda mais precária. E, como todos os times pequenos, teve que vender muitos de seus melhores jogadores. Um desses era John Fashanu. Ele disputou a partida que capturava o absurdo essencial da história do Wimbledon, tanto para os torcedores do time quanto para seus rivais: a final da copa da Football Association de 1988, na qual enfrentaram o Liverpool, então o melhor time da Inglaterra, e o derrotaram por um a zero. Nas temporadas seguintes, comecei a perder o interesse pelo Wimbledon e a assistir cada vez menos jogos.

Quando me perguntavam por que deixara de torcer por eles, às vezes respondia que não fazia muito sentido continuar torcendo depois que o time conquistou a copa da FA, mas percebia o quanto isso soava pedante e estúpido, e por isso desisti de explicar. Ainda assim, fiquei feliz por não ser um verdadeiro torcedor de futebol quando testemunhei o que aconteceu com o Wimbledon. As novas realidades financeiras do futebol inglês -aqueles que já têm muito receberão ainda mais, e os demais terão de lutar pelas migalhas- finalmente se fizeram sentir na equipe na temporada de 1999/ 2000, quando o time foi rebaixado da Premier League.

Incapazes de obter licenças de construção ou financiamentos para a construção de um novo estádio para o time no sul de Londres, os proprietários surgiram com a radical proposta de transferir o time a outro lugar, no qual pudessem expandir sua base de torcedores e garantir o futuro do clube. Para indignação e consternação dos torcedores da equipe na região sul de Londres, o local escolhido foi Milton Keynes, uma cidade de rápido crescimento no centro da Inglaterra, que não contava com um time de futebol profissional. Para surpresa de ninguém, assim que se tornou claro que a equipe estava planejando abandonar seus torcedores locais, a torcida desapareceu do estádio, e a situação financeira do Wimbledon se agravou ainda mais. Em 2003, o clube entrou em concordata. No ano seguinte, mandando suas partidas no estádio nacional de hóquei sobre a grama de Milton Keynes, o time voltou a ser rebaixado, para a League One, antiga terceira divisão.

Àquela altura, o Wimbledon FC foi adquirido por um empresário musical morador de Milton Keynes, Pete Winkelman, que mudou o nome do time para MK Dons. Em 2006, o MK Dons voltou a cair, para a League Two, a velha quarta divisão por meio da qual a equipe iniciara sua jornada no futebol profissional menos de 30 anos antes. Nenhuma equipe da liga inglesa havia sido afastada de seus torcedores pelos proprietários, como ocorreu nesse caso, ainda que episódios semelhantes tenham se repetido inúmeras vezes nos EUA, onde times são transferidos para o outro lado do país por proprietários em busca de mercados novos e mais lucrativos. Assim, a transferência do pequeno Wimbledon para uma cidade localizada a 110 quilômetros de distância parecia indicar a iminente americanização do futebol inglês, que colocaria lealdades tradicionais à mercê de empresários enxeridos para os quais um time é nome e nada mais.

Observando a situação, passados quatro anos, fica claro que os torcedores tinham motivos para preocupação, ainda que estivessem preocupados com a coisa errada. A transferência geográfica jamais foi uma opção séria para times de futebol inglês, porque não existem muitos locais do país em que não exista um time. Mais que estilo de vida Mesmo assim, apesar das dificuldades inerentes que afastar um time de futebol inglês de sua origem geográfica acarreta, os enxeridos chegaram.

Um ano antes que Winkelman adquirisse o Wimbledon, outro empresário de sucesso, Roman Abramovich, tomou o controle do vizinho Chelsea e iniciou o processo que faria do time uma potência do futebol internacional, tratando-o o tempo todo como uma espécie de brinquedinho pessoal. Desde então, quase todos os grandes times ingleses tiveram seu controle tomado por estrangeiros. Manchester United, Liverpool e Aston Villa são controlados por americanos. No Arsenal, há uma disputa pelo controle entre o norte-americano Stan Kroenke e o magnata uzbeque Alisher Usmanov. O West Ham pertence a islandeses, ainda que no momento provavelmente esteja em mãos dos credores do sistema bancário falido da Islândia.

O Portsmouth parece pertencer ao russo Aleksandr Gaydamak (embora ninguém saiba ao certo). E, há pouco, o Manchester City foi adquirido pelo Abu Dhabi United Group for Investment and Development, o que o torna o time mais rico do mundo -ou ao menos o time com os mais ricos proprietários do mundo, o que pode não ser a mesma coisa. Nenhum desses times precisou se mudar para seguir o dinheiro. Em lugar disso, o dinheiro foi até eles. O que esses novos proprietários parecem desejar do futebol inglês é uma participação em um negócio glamouroso e dinâmico, com vasto apelo mundial. Isso significa que muitos times da Premier League se mudaram, nos últimos anos, sem que precisassem transferir suas instalações físicas: simplesmente se mudaram para a economia internacional, onde podem ser comercializados como marcas internacionais. De fato, para fins de marketing, raízes locais são importantes: clubes como o Manchester City, com base de torcedores apaixonados, são ótimo veículo para proprietários com ambições que se estendem para além de Manchester. Pois na TV parece melhor ter um estádio lotado de torcedores que parecem de fato envolvidos com o time do que um estádio no qual os torcedores começaram a tratar o time como uma espécie de acessório de estilo de vida, mais ou menos como os proprietários o fazem. Isso, aliás, vem sendo um problema para o Chelsea e um dos motivos para que a equipe ainda não consiga se equiparar aos times mais tradicionais em termos de apelo internacional.

O setor financeiro internacional quer o pacote completo, quando se trata dos times de futebol: um senso de história, o rugido dos torcedores leais, a sensação de excitação. O nome de maneira nenhuma é a essência da marca, e talvez seja algo dispensável ou ajustável. Quando os novos proprietários do Manchester City começaram a alardear sua aquisição, usavam as camisas azuis do time, mas dotadas da inscrição Abu Dhabi, nas costas. A verdade é que é mais provável que um time chamado Abu Dhabi United termine jogando em Manchester do que vermos o Manchester City jogando em Abu Dhabi.

O primeiro astro a ser recrutado com o dinheiro árabe, o brasileiro Robinho, adquirido do Real Madri pela quase inacreditável soma de 32,5 milhões, resumiu essa nova realidade ao declarar, na chegada a Manchester, o quanto estava satisfeito por ser parte do time do Chelsea. Na verdade, não importa muito que os jogadores não saibam onde estão, desde que os torcedores estejam lá para recebê-los. O que esses novos proprietários desejam é um clube com senso claro de identidade, em torno da qual possam construir suas elaboradas fantasias pessoais. Ou seja, os torcedores ainda valem alguma coisa.

Novo Wimbledon

É claro que a raiva não se dissipou na parte sul de Londres, mas em 2002 os torcedores mais radicais do Wimbledon FC criaram um novo time em seu lugar, o AFC Wimbledon, que também está em ascensão. A equipe já passou por quatro níveis de ascenso e agora está só dois degraus abaixo do futebol profissional. Não é impossível que o MK Dons reproduza a ascensão espantosa do Wimbledon FC e chegue à Premier League. Isso ainda acontece, como demonstrou o Hull City ao subir quatro divisões em apenas cinco temporadas. Equipes como a do MK Dons e a do Hull dependem do apoio local, de boa gestão e de muita sorte.

Mas dificilmente se beneficiarão de sorte como a que o Manchester City desfruta. Não sei como eu me sentiria quanto a essa perspectiva se torcesse pelo time. Essa ideia me parece desconfortavelmente próxima de um insulto àquilo que o futebol verdadeiro representa. Mas eu não sou um verdadeiro torcedor.

DAVID RUNCIMAN é professor de ciência política na Universidade de Cambridge. A íntegra deste texto saiu no “London Review of Books”. Tradução de Paulo Migliacci.

Published in: Sem categoria on 10 de fevereiro de 2009 at 2:49 PM  Deixe um comentário  
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Um grande zagueiro

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Aproveitando a ótima fase da defesa andreense, vale lembrar um diferencial que a gente ainda consegue encontrar por aqui.

Dia de jogo do time b, em 2008 e lá estavam presentes vários jogadores titulares do time principal, entre eles, o então cabeludo, zagueiro Marcel, que além de ótimo zagueiro é uma pessoa humilde e muito gente boa.

Os demais elementos são a escória de sempre  hehehe Eu e a Mari (vale lembrar que ela escreve o www.pencefundamental.wordpress.com) , o Renato (da Fúria), o Gigante (sempre presente) e o nosso risonho “Jonny”, do blog http://blogdojaovitor.blogspot.com/ .

Futebol é isso aí….

Published in: on 6 de fevereiro de 2009 at 1:55 PM  Comments (1)  
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25- Camisa do Colo-colo

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Mantendo acesa a chama da união e admiração pelos times da América do Sul, é hora de mostras as 2 camisas do Colo-Colo. Ambas foram presentes, a branca, minha mãe trouxe em 1996, se não me engano, e a preta meu irmão, Murilo quem me deu.

Aproveito para mandar um abraço pros meus amigos de lá do Chile, Pedrácula e o Pepe, quem sabe um dia estaremos por aí pra assistir algum jogo juntos.

Bom, falando do time, o Club Social y Deportivo Colo-Colo, ou “Los Albos” é da cidade de Santiago e é um dos considerados grandes clubes do Chile e da própria América do Sul.

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Foi fundado em 19 de Abril de 1925, por David Arellano, além de fundador e liderança, também jogador e capitão do time.

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Sua camisa traz as cores branco, simbolizando a pureza e o preto,  representando a seriedade.

Seu nome é uma homenagem ao cacique Colo-Colo, herói indígena da tribo Mapuche que lutou contra os espanhóis no século XVI e que foi conhecido por sua grande inteligência. Até por isso seu mascote (que aparece no distintivo) é um índio e alguns chamam o time de “El Cacique”.

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Este vídeo mostra um pouco da história do clube:

O primeiro título conquistado veio em 1926, de forma invicta, ainda durante o período do futebol não profissional no Chile, que iria iniciar apenas na década de 30.

“Los Albos” foi o primeiro clube chileno a excursionar pela Europa, em 1927. Neste mesmo ano, uma tragédia acaba marcando a história do clube, a morte do ídolo David Arellano, devido a uma pancada que recebera em um jogo. Desde então, o Colo-Colo tem uma tarje preta acima de seu escudo em sinal de luto.

Seu primeiro título profissional veio em 1937, novamente de maneira invicta, com a equipe abaixo:

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Em 1947 disputou o Campeonato Sulamericano (a pré história da Libertadores), que teve como campeão o Vasco da Gama.

Em 1973, a equipe alcança seu auge (até então). Chegou à final da libertadores estabelecendo médias de 40 mil torcedores em seus jogos. Era a primeira vez que uma equipe chilena chegava à final de um torneio internacional. Pra tristeza dos hinchas chilenos, o Independiente (Argentina) sairia campeon.

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Realizou o sonho de ter um grande estádio próprio em 1989, quando foi inaugurado o Monumental David Arellano.

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Em 89/90/91 conquistaram o tricampeonato nacional, e pra coroar ainda mais a boa fase, em 91, após deixar pra traz equipes como o Nacional (Uruguay), Boca Junors e Olímpia do Paraguai, o Colo-Colo sagrou-se campeão da Libertadores de América.

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Relembre como foi a final:

Depois, acabou perdendo o Mundial para o Estrela Vermelha (adorava esse time!) da Iugoslávia.

Em 1993 ainda conquistariam a Recopa sobre o Cruzeiro.

O site oficial do time é: www.colocolo.cl , e se quiser ouvir o hino, clique aqui.

E pra quem gosta de participar, vejam a hinchada em ação:

Abraços e até a próxima camisa!!

Programa “Bola e Arte”

fiztv

Pessoal, pra quem curte as diversas ligações entre o futebol e demais assuntos, principalmente política e arte, essa é uma ótima sugestão.

O programa Bola e Arte é exibido pela FizTV, um meio bem democrático, já que os vídeos mais votados na Internet vão para a TV.

Nos dois primeiros programas do ano, a banda Fora de Jogo e o time de várzea Autonomos, dos quais faço parte  estiveram participando.

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Pra quem nunca ouviu falar, tanto o time quanto a banda tem influências do Anarquismo e lutam por um futebol menos mercadológico. Dê uma olhada no nosso clip:

Bom, mas resumindo, se você ficou interesado em ver a entrevista, assista (e vote pra ir pra tv) em:

http://fiztv.uol.com.br/f/Video/assista/23055  (Essa é a parte 1 do programa, dá até pra ouvir a gente tocar!)

http://fiztv.uol.com.br/f/Video/assista/23029 (Essa é a parte 2 do programa)

O programa foi tão legal que ganhou continuação. Veja aí:

http://fiztv.uol.com.br/f/Video/assista/23362/0 (Parte 1 da semana 2)

http://fiztv.uol.com.br/f/Video/assista/23365/0 (Parte e da semana 2… é isso?)

Agradecemos ao pessoal do programa, e em especial ao Carlos Carlos (é assim mesmo, 2 vezes) que até foi ao nosso protesto boleiro contra a militarização do futebol.

Abraços!

O torcedor que queria mudar de time

Uma tarde como outra qualquer, desse verão quente e chuvoso.

Ando apressado pra tentar chegar até as 18hs na editora.

Ufa, deu tempo!

“Oi, eu vim retirar o livro do Adoniran Barbosa”.

“Só um minuto, por favor.”

Enquanto aguardava, começei a olhar aquele galpão, estoque da livraria.

“Posso dar uma olhada nesse?” Apontei o livro ” O poder das barricadas“.

“Pode sim. Você é jornalista?” perguntou o atendente.

“Hmmm não, eu sou… Eu escrevo sobre futebol… Na internet…” (resisti a dizer “blogueiro”, talvez por medo de perder meu livro cortesia de imprensa).

“Pô, eu também já fui blogueiro (como ele adivinhou??) Escreve um post sobre mim, então…”

“Por que eu devo escrever?”

“Porque eu quero mudar de time e ninguém deixa. Olha que sacanagem, o cara pode mudar de emprego, de casa, de mulher, até de sexo, mas não deixam ele mudar de time… “

Fazia sentido… Pego o celular e ligo pro Mandz:

“Mandz, tem uma coisa aqui acontecendo que tem a cara dos seus textos.” falo rápido pra poupar meus créditos bônus que a Vivo me dá de tempos em tempos pra ver se eu ainda estou vivo (sacou o trocadilho? Vivo, vivo??).

“ALÔ?? MAU, EU IA TE FALAR UMA COISA MAS ESQUECI… AH, JÁ CONTEI QUE ENCONTREI O RICHARLYSSON NO SHOPPING? ” responde o Mandz com a paciência de quem recebe a ligação e espera que ela dure o suficiente pra gerar créditos bônus.

“Caramba Mandz, ouve o que eu tenho pra falar, tem um cara aqui, com uns 26 anos dizendo que quer mudar de time, mas que não muda pela repressão que teme sofrer”.

LEGAL”.

Odeio quando ele não se empolga com uma coisa loca.

“Pô, mas um palmerense virar corinthiano é foda hein??” diz um segundo atendente que tava pegando meu livro.

“Mandz, ele é palmerense e quer virar coritnthiano”…

“HE HE. LEGAL.”

“Bom, vou pegar o contato dele e depois você troca uma idéia com o cara, beleza? Aí posta no www.manihot.wordpress.com e me passa pra eu por no meu blog também”

“TÁ. EU TIREI UMA FOTO COM O RICHARLYSSON, DAQUI HÁ POUCO EU VOU POSTAR PRA VER A POLÊMICA”

Desligo o telefone, digo ao atendente que aceito postar sobre ele, e que provavelmente o Mandioca vai ligar pra conversar com ele pra postar também.

Concordo com ele sobre a ditadura dos times, principalmente dos times grandes. Digo que sou andreense, e que passei por isso.

Pego meu livro (é prum post em breve relacionando a vida do Adoniran Barbosa ao futebol), a chuva começa a cair.

O atendente fica contente e anota o telefone num papel amassado. Rasgo ele no meio e marco o endereço do blog.

Eu também fiquei contente. 

O outro achou engraçado aquele papo, meio maluco, no meio de uma tarde comum.

O Mandz devia estar no meio de algum texto dele, mas acredito que no fundo ele também se empolgou.

Assim, começa fevereiro.

Ah, ontem consegui 4 camisas novas (Paulínia, Santa Cruz, Chapecoense e um time do Oriente médio). To com uma mega fila pra postar.

Abraços, até sexta eu posto uma camisa nova.

Published in: on 3 de fevereiro de 2009 at 1:13 AM  Comments (2)  
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